21.9.08

24/ XXIV - O VOO PARA A HISTÓRIA COM O 14 BIS

*

  Alberto Santos Dumont - Filme YouTube- P. 1 - Lucas Tiago Bauermann



Na hora da partida, respirei fundo, fiz o sinal da cruz e liguei o motor do 14-Bis.
Entre pequenos solavancos, a aeronave roda por uns dez metros no gramado, decola, voa por uns segundos no ar e pousa suavemente no solo. Não resisti e comecei a gritar: Ganhei!... Ganhei!... O povo respondeu: - Vive L’Santô!!!... Vive L’France!!!...





Aprovada a eficiência do novo e engenhoso aeroplano, Santos-Dumont inscreve-se em duas provas. Primeira, a Taça Archdeacon de 3 mil francos oferecida ao piloto que, em sua aeronave, e por seus próprios recursos, conseguisse voar através de um percurso de 25 metros com um aparelho mais pesado do que o ar. Em seguida, ao Prêmio do Aeroclube da França, de 1.500 francos para o primeiro voo de 100 metros, dentro da mesma categoria.

No final da manhã de 23 de outubro de 1906, dia da primeira prova, Santos-Dumont chega ao Campo de Bagatelle. No local, sob o frio suave de outono parisiense, encontra seus mecânicos fazendo as últimas checagens no 14-Bis, já posicionado no relvado para o início da prova. Em torno do aparelho, centenas de pessoas que se acomodavam no gramado para ver o inédito espetáculo.

            Na hora marcada da prova, o piloto ocupa seu lugar no cockpit, liga o motor e aguarda o sinal para a arrancada. Ao ouvir o estrondo de pólvora seca, ele solta os freios da aeronave que roda meio desengonçada pelo gramado, sem conseguir levantar voo. Ponderado, Santos-Dumont pede mais tempo aos jurados para consertar o defeito ocasionado apresentado. Duas horas depois, o piloto posiciona-se para a segunda tentativa.

            Quinze para as cinco da tarde, hora de Paris. Santos-Dumont assume novamente o comando do 14-Bis e, após uma troca de gestos com os jurados, Ernest Archedeacon fica de pé e inicia a contagem para a nova partida:

            - Un, Deux et voilà le T r o i s!...

            Esse instante, como ave desatada para o arremesso, o 14-Bis taxia tranquilo no solo e decola de forma suave e segura. Voa sessenta metros, a três metros do chão e toca o solo numa operação de sete segundos, ovacionado por uma multidão de curiosos e pelos censores do Aeroclube da França. Sucesso absoluto.

            - Vive L’Santô!!!... Vive L’France!!!... – gritavam os franceses, enlouquecidos.

            Ao ver o entusiasmo popular, o engenheiro Gustave Eiffel não se contém e corre para abraçar o amigo, antes de descer de sua máquina voadora.

            - Mon Petit Santô!...  S’élever par ses seuls moyens du bord et a accomplir un vol plane – revela em alto e bom som, abraçado ao piloto.

            O senhor Ernest Archedeacon, muito alegre com o resultado da prova, dá o veredicto na hora:

            - La performance de Santos-Dumont a été si belle, si incotestable, qu’il faut l’enregistrer sans littérature. Vive L’France!

            E, com os olhos voltados para o 14-Bis, o jurado torna a gritar com mais força:

            - Vive L’France!... Vive L’Santô!...

            A multidão, cada vez mais alegre, formava uma fila, que parecia sem fim, para cumprimentar o aviador. Vitória do brasileiro, vitória da França era o que se ouvia entre os populares presentes ao memorável acontecimento. Paris acabava de registrar nos anais da História da Aviação a conquista definitiva do ar. O voo foi curto, 60 metros. Mas, pela primeira vez na vida da Humanidade, uma máquina mais pesada do que o ar, construída pelo homem, foi capaz de vencer a gravidade e voar sem auxílio de forças externas.

            A conquista do prêmio rendeu manchetes nos principais jornais da Europa e do mundo. O jornal Le Figaro amanheceu com o título da reportagem de capa em letras garrafais:

 

    UNE MINUTE MÉMORABLE DE L'HISTOIRE DE LA NAVIGATION AERIENNE

 

         A legenda do clichê, que estampava o 14-Bis voando, o texto ressaltava o acontecimento:  A primeira vez na História da Humanidade que um aeroplano a motor, dirigido por um homem, foi capaz de decolar, voar e pousar. O futuro chegou.

 

            O Le Matin, de Paris, circula com a manchete:


L’HOMME A CONQUIT L’AIR. M. SANTOS-DUMONT A FAIT HIER UNE EXPÉRIENCE SENSATIONELLE


               Em Londres, o The Illustrated London News, abre a edição de 3 de novembro de 1906, com o seguinte título:


THE FIRST FLIGTH OF A MACHINE HEAVER THA AIR:
M. SANTOS-DUMONT WINNING THE ARCHDEACON PRIZE


            Na Itália, o L’Illustrazione Italiana circula com a certeza:

 

L’APPARECCHIO DI SANTOS-DUMONT SI
È INALZATO COI PROPI MEZZI



            Nos dias que se seguiram, a principal notícia dos jornais mais importantes do mundo destacava o feito inédito de Santos-Dumont, mostrando a evolução da ciência a favor dos meios de transporte aéreos.

            A partir daí, definitivamente, Santos-Dumont foi incluído na galeria dos homens mais importantes do século. Fato que consagrava mais ainda sua fama no universo científico e o nome do Brasil no pódio permanente das grandes invenções. 

            O Governo do Brasil, reconhecendo o grande feito, institui a Semana da Asa para ser comemorada em todo território nacional a partir do dia 23 de outubro, ou abrangendo esse dia, como data consagrada ao pioneiro da aviação, o brasileiro Alberto Santos-Dumont.

 

* FBN© - 2013 O Voo da História com o 14-Bis – Cap. 24 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/14-bis-o-vo-para-histria.html

 

 

- 24 -