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Alberto Santos Dumont - Filme YouTube- P. 1 - Lucas Tiago Bauermann
Na hora da partida, respirei fundo, fiz o sinal da cruz e
liguei o motor do 14-Bis.
Entre pequenos solavancos, a aeronave roda por uns dez
metros no gramado, decola, voa por uns segundos no ar e pousa suavemente no solo.
Não resisti e comecei a gritar: Ganhei!... Ganhei!... O povo respondeu: - Vive
L’Santô!!!... Vive L’France!!!...
Aprovada a
eficiência do novo e engenhoso aeroplano, Santos-Dumont inscreve-se em duas
provas. Primeira, a Taça Archdeacon de 3 mil francos oferecida ao piloto que,
em sua aeronave, e por seus próprios recursos, conseguisse voar através de um
percurso de 25 metros
com um aparelho mais pesado do que o ar. Em seguida, ao Prêmio do Aeroclube da
França, de 1.500 francos para o primeiro voo de 100 metros , dentro da
mesma categoria.
No final da manhã de 23 de
outubro de 1906, dia da primeira prova, Santos-Dumont chega ao Campo de
Bagatelle. No local, sob o frio suave de outono parisiense, encontra seus
mecânicos fazendo as últimas checagens no 14-Bis, já posicionado no relvado
para o início da prova. Em torno do aparelho, centenas de pessoas que se
acomodavam no gramado para ver o inédito espetáculo.
Na hora marcada da prova, o piloto
ocupa seu lugar no cockpit, liga o motor
e aguarda o sinal para a arrancada. Ao ouvir o estrondo de pólvora seca, ele
solta os freios da aeronave que roda meio desengonçada pelo gramado, sem
conseguir levantar voo. Ponderado, Santos-Dumont pede mais tempo aos jurados
para consertar o defeito ocasionado apresentado. Duas horas depois, o piloto
posiciona-se para a segunda tentativa.
Quinze para as cinco da tarde, hora
de Paris. Santos-Dumont assume novamente o comando do 14-Bis e, após uma
troca de gestos com os jurados, Ernest Archedeacon fica de pé e inicia a
contagem para a nova partida:
- Un, Deux et voilà le T r o i s!...
Esse instante, como ave desatada
para o arremesso, o 14-Bis taxia tranquilo no solo e decola de forma suave e
segura. Voa sessenta metros, a três metros do chão e toca o solo numa operação
de sete segundos, ovacionado por uma multidão de curiosos e pelos censores do
Aeroclube da França. Sucesso absoluto.
- Vive L’Santô!!!... Vive
L’France!!!... – gritavam os franceses, enlouquecidos.
Ao ver o entusiasmo popular, o engenheiro
Gustave Eiffel não se contém e corre para abraçar o amigo, antes de descer de
sua máquina voadora.
- Mon Petit Santô!... S’élever par
ses seuls moyens du bord et a accomplir un vol plane – revela em alto e bom
som, abraçado ao piloto.
O senhor Ernest Archedeacon, muito
alegre com o resultado da prova, dá o veredicto na hora:
- La performance de Santos-Dumont a été si belle, si incotestable, qu’il faut
l’enregistrer sans littérature. Vive L’France!
E, com os olhos voltados para o
14-Bis, o jurado torna a gritar com mais força:
- Vive L’France!... Vive L’Santô!...
A multidão, cada vez mais alegre,
formava uma fila, que parecia sem fim, para cumprimentar o aviador. Vitória do
brasileiro, vitória da França era o que se ouvia entre os populares presentes
ao memorável acontecimento. Paris acabava de registrar nos anais da História da
Aviação a conquista definitiva do ar. O voo foi curto, 60 metros . Mas, pela
primeira vez na vida da Humanidade, uma máquina mais pesada do que o ar,
construída pelo homem, foi capaz de vencer a gravidade e voar sem auxílio de
forças externas.
A conquista do prêmio rendeu
manchetes nos principais jornais da Europa e do mundo. O jornal Le Figaro
amanheceu com o título da reportagem de capa em letras garrafais:
UNE MINUTE MÉMORABLE DE L'HISTOIRE DE LA NAVIGATION AERIENNE
A legenda do
clichê, que estampava o 14-Bis voando, o texto ressaltava o acontecimento: A
primeira vez na História da Humanidade que um aeroplano a motor, dirigido por
um homem, foi capaz de decolar, voar e pousar. O futuro chegou.
O Le Matin, de Paris, circula com a
manchete:
L’HOMME A CONQUIT L’AIR. M. SANTOS-DUMONT A FAIT HIER UNE EXPÉRIENCE SENSATIONELLE
Em Londres, o The Illustrated London News, abre a edição de 3 de novembro de 1906, com o seguinte título:
THE FIRST FLIGTH OF A MACHINE HEAVER THA AIR:
M. SANTOS-DUMONT WINNING THE ARCHDEACON PRIZE
Na Itália, o L’Illustrazione Italiana
circula com a certeza:
L’APPARECCHIO DI SANTOS-DUMONT SI
È INALZATO COI PROPI MEZZI
È INALZATO COI PROPI MEZZI
Nos dias que se seguiram, a
principal notícia dos jornais mais importantes do mundo destacava o feito
inédito de Santos-Dumont, mostrando a evolução da ciência a favor dos meios de
transporte aéreos.
A partir daí, definitivamente,
Santos-Dumont foi incluído na galeria dos homens mais importantes do século. Fato
que consagrava mais ainda sua fama no universo científico e o nome do Brasil no
pódio permanente das grandes invenções.
O Governo do Brasil, reconhecendo o
grande feito, institui a Semana da Asa para ser comemorada em todo território
nacional a partir do dia 23 de outubro, ou abrangendo esse dia, como data
consagrada ao pioneiro da aviação, o brasileiro Alberto Santos-Dumont.
* FBN©
- 2013 –
O Voo da História com o 14-Bis – Cap. 24 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO
– Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria:
Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da
Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/14-bis-o-vo-para-histria.html
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