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- Não sou alto nem robusto, mas quando estou de pé na minha cesta a máquina tem de me obedecer. Não é ela quem me controla, sou eu que a comando. É, sem dúvida, a percepção desse poder que torna a navegação aérea uma atividade fascinante.
Encorajado pela adequada atuação do SD-5, Santos-Dumont
inscreve-se ao Prêmio Deutsche,
criado pelo magnata do petróleo Barão Henry Deutsche de la Meurthe. O evento
tinha por objetivo premiar o piloto, em um balão dirigível, que vencesse os 11
quilômetros de ida e volta, entre Saint Cloud e a Torre Eiffel, em 30 minutos.
No
dia marcado para a prova, 13 de julho de 1901, Santos-Dumont decolou com
sucesso, mas não completou o percurso devido a um grave acidente. Ao contornar
a Torre Eiffel, o SD-5 foi surpreendido por uma forte ventania e caiu sobre as
árvores do Parque Rothschild.
No chão, o piloto rebate a crítica de um jornalista,
filosofando:
- Não, não aceito esse episódio como um fracasso. Aos que
assim imaginam, digo que o fracasso deve ser nosso mestre, não o coveiro. O
erro pode mostrar que se aprende muitas lições. Portanto, considero o fracasso
como adiamento, não a derrota. Desvio temporário, não um beco sem saída.
Na segunda tentativa, em 08 de agosto, mais um acidente.
Com menos de dez minutos de voo, o balão apresentou problemas no escapamento de
gás. Desequilibrado, imediatamente, a aeronave caiu em chamas sobre o telhado
do Hotel Trocadero. Como a barquinha do SD-5 ficou presa na marquise do prédio,
Santos-Dumont logo se agarrou às cordas e à quilha, mesmo correndo o risco de
se despencar de uma altura de mais de 13 metros . Momento de grande apreensão que
deixou o povo atônito, balonistas surpresos e os jornalistas excitados.
Com ajuda dos bombeiros, o piloto desce do prédio sem
nenhum arranhão, refaz a gravata no colarinho alto, repõe na cabeça o chapéu
amarrotado e vai ao encontro das pessoas que assistiram o episódio,
desculpando-se:
Com os olhos arregalados numa expressão de espanto, pergunta um
repórter:
- Muito perigoso o que está fazendo.
Você é louco?
- Não sou louco. Se fosse louco não
teria sobrevivido a tantos infortúnios, sem amarelar. Nasci para voar e vim
para ficar, portanto, o desafio é a minha energia. Apenas pousei no lugar
errado.
- Susto e tristeza. Voava tranquilo até que – o azar – aconteceu. Posso dizer que,
dessa vez, como sobrevivente de uma impressionante queda de balão, senti que
meu anjo da guarda é mesmo forte. Só me resta agradecer por estar vivo e pedir
desculpas a todos vocês em terra.
- Mesmo correndo tanto perigo? Não tem medo?
Com um sorriso confiante, Alberto responde ao jornalista com
excelente humor:
- Medo é uma palavra que não existe em meu dicionário. Não
tenho medo de nada e encaro qualquer desafio no céu numa boa. Fique sabendo que
o brasileiro é um ser combativo por natureza. Para nós, somente
teme a morte quem não se permite viver com intensidade. Ou seja, quem não sabe usufruir das coisas boas desses tempos
modernos.
- Claro e vou realizar esse sonho custe o que custar. Até porque
sonhar é bom quando se pode tornar o sonho em realidade, caso contrário, pés o
chão é melhor.
Risos. Mais exultante, e com ar de brincadeira Alberto, continua
gracejando:
-
Todos podem rir de mim à vontade. Amarrotado assim como estou, deve ser mesmo
engraçado. Fazer o quê? Não ligo.
Risos.
Outro repórter quis saber:
- Depois dessa, dá para ter mais fé em forças superiores?
- Sem dúvida, é
sempre bom clamar pela proteção dos céus. Como dizem os árabes: confie em Alá,
mas amarre seu camelo.
Antes de deixar
o local, Santos-Dumont fecha os dedos sobre os lábios, olha para o céu e abre a mão, soprando:
- SD-5. Puff..., virou pó!
O concorrente ao Prêmio Deutsche perde a parada, mas não
perde a confiança. Muito menos, a pose diante da imagem do balão destroçado.
Apesar do acidente, a revista científica La Nature e dezenas de outros veículos
de imprensa, noticiaram em destaque que estava resolvido o problema da
dirigibilidade dos balões.
Alberto Santos-Dumont passeou no espaço como se estivesse
andando de automóveis em terra firme.
* FBN© - 2013 – Prêmio Deutsche de la Meurthe. Único
Competidor. – Cap. 14 de SANTOS-DUMONT.
A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida
Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português -
IIustr.: Imagens da Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/prmio-deutsch-de-la-meurthe-o-nico.html
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