21.9.08

29/XXIX - A GRANDE LIÇÃO DE SANTOS-DUMONT

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Filme da apresentação de voo do 14 Bis
   

Excêntrico!... Extravagante!... Nem tanto.
Alberto Santos-Dumont esbanjava sonhos e sua imaginação voava alto. Era um homem obstinado
 pela ciência mecânica e vaidoso, como a maioria dos brasileiros.
Por isso sempre foi tão referenciado por todos.


            Alberto Santos-Dumont provou e deixou como legado às gerações futuras que a força de vontade, a busca incessante de conhecimentos e o amor ao próximo são capazes de ajudar a construir a trajetória de um jovem cheio de sonhos.
         O inventor morreu solteiro porque assim escolheu viver. Jamais se casou ou teve filhos. Fato visto como uma decisão de se consagrar exclusivamente à ciência aeronáutica. Oportunidades de casamento não lhe faltaram entre amigas e admiradoras, que pretendiam ter o brasileiro como esposo e pai de sua prole. Mas, ele mesmo se definia um homem comprometido com as ciências exatas e, em seu benefício e desenvolvimento, dedicava-se de corpo e alma diuturnamente. Diante disso, o matrimônio e suas obrigações naturais nunca estiveram em seus planos, acreditando que o casamento poderia atrapalhar a direção traçada, ad infinitum, de sua existência: legar à humanidade um aparelho para voar.
            Entre amigos, frente às provocações, divertia-se em debochar de si mesmo:
            - Qual mulher vai me querer para esposo? Seria uma loucura!... Sou lerdo, cheio de manias e muito exigente comigo mesmo, portanto ranzinza. Boa parte de meu tempo passo com a cabeça fervilhando de ideias e, nesses momentos de borboleteamento, não gosto de ser interrompido de jeito nenhum. Durante o meu dia, quando não estou diante de uma prancheta no escritório desenhando, fazendo cálculos, estou na oficina realizando meus projetos com os mecânicos. Não tenho hora para dormir, comer ou mesmo divertir. Acordo bem cedinho, mesmo quando deito pelas quatro da manhã. Que tempo teria para uma família? Nenhum.
            Depois de uma pausa, finaliza:
            - Não tem jeito mesmo, como não posso fugir de mim mesmo, meu negócio é aproveitar essa vida de solteiro que costuma ser muito divertida. Meus irmãos casaram-se todos e são dedicados ao lar. Eles me deram muitos sobrinhos. Isso me basta.
            Ainda desfrutando o sucesso do Demoiselle, Santos-Dumont anunciou aos amigos que aquela aeronave fecharia o período SD no universo da aviação. Em discurso emocionado, numa das últimas reuniões em que participou no Aeroclube da França, justifica:
            - Em mais de 18 anos de atividade e fidelidade ao ofício da aviação, prestigiei tudo aquilo que havia sido desacreditado, como a dirigibilidade do balão e a invenção de uma aeronave mais pesada do que o ar. Agora, chegou a hora de parar e abrir espaço para a geração mais moça entrar no meio aeronáutico com entusiasmo. Ainda mais que as Universidades, que se proliferam cada vez mais pelo mundo, estão incorporando a Engenharia Aeronáutica entre seus cursos de capacitação profissional. Isso é bom. Conforta-me saber, porque sempre acreditei que só através do conhecimento é que podemos mudar o rumo do mundo.
O último voo de Santos-Dumont, como piloto, deu-se em 18 de setembro de 1909 com o Demoiselle, quando o inventor afirmou numa roda de amigos:
- Pendurei, de vez, as minhas chuteiras.
No dia seguinte, o jornal Le Matin publicou uma longa entrevista com Alberto Santos-Dumont. Na capa, a manchete:

 

SEM REQUERER PATENTE, SANTOS-DUMONT DEIXA LIVRE A FABRICAÇÃO DO ‘DEMOISELE’.

 

            Encerra a reportagem, com depoimento do Pai da Aviação:
            - Com o Demoiselle obtive a Carta de Piloto de monoplanos. Fiquei, pois, possuidor de todas as Cartas da Federação Aeronáutica: Piloto de balão livre, piloto de dirigível, piloto de biplano e piloto de monoplano. Durante muitos anos, somente eu possuía todas essas Cartas, e não sei mesmo se há alguém que as possua. Fui, pois, o único homem a ter verdadeiramente direito ao título de Aeronauta, pois conduzi todos os aparelhos aéreos. Para conseguir este resultado me foi necessário não só inventar, mas também experimentar, e nestas experiências tinha, durante 10 anos, recebido choques mais terríveis; sentia-me com os nervos cansados. Anunciei aos amigos a intenção de pôr fim à minha carreira de aeronauta - tive aprovação de todos.
A partir da publicação do Projeto Demoiselle nas páginas da revista Mechanics, mecânicos-piloto espalhados pelo mundo todo, seguiram seus princípios científicos e realizaram progressos extraordinários na aviação com a tecnologias cada vez mais sofisticadas.
Na França Santos-Dumont era tão respeitado que, entre as homenagens prestadas a ele pelo Governo Francês, uma foi, em 1913, com a construção do monumento Ícaro Alado na Praça de Saint-Cloud, no Bairro de Val d’Or, em Paris. Outro tributo, nesse mesmo ano, foi elevá-lo ao grau de Comendador da Legião de Honra e, em 1929, ao máximo: Grande Oficial. Em 3 de fevereiro de 1930, mais uma distinção francesa: a patente do Canhão Lança-Amarra, para o salvamento de náufragos.


SANTOS-DUMONT ON THE MOON


Em 16 de maio de 1973, por influência da decana mundial da aviação Anésia Pinheiro Machado, o historiador norte-americano Paul Garber, da Smithsonian Institution, enviou ao Comitê de Nomenclatura da União Aeronáutica Internacional, em nome do Museu do Ar e do Espaço de Nova Iorque, o pedido formal para a designação do nome de Alberto Santos-Dumont para um significativo relevo lunar.
Em 20 de julho de 1973, quando ele completaria 100 anos, o principal instituto de aviação do mundo, aprovou na 15ª Assembleia Geral da União Aeronáutica Internacional, em Sidnei, Austrália, a mudança do nome da cratera Hadley-B para Alberto Santos-Dumont.



* FBN© - 2013 - A Grande Lição de Santos-Dumont. – Cap. 29, de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet. Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/grande-lio-de-santos-dumont.html