*
YouTube
* FBN© - 2013 – Santos-Dumont nas Alturas. Primeiro Voo – Cap. 10 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO –
Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa
Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da
Internet - Link:
http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/o-primeiro-vo-em-balo.html
YouTube
- Fiquei estupefacto diante do panorama de Paris visto de grande altura; nos arredores,
campos cobertos de neve... Era Inverno. [...]. Durante toda a viagem acompanhei a viagem do piloto; compreendia perfeitamente a razão de tudo quanto ele fazia. Pareceu-me que nasci mesmo
para a aeronáutica. Tudo se me apresentava muito simples e muito fácil; não senti nem vertigem, nem medo. [...]E tinha subido! Como ele diz, sofre de aerite, (doença) que nunca mais me deixará - Alberto Santos-Dumont
Na manhã de 23 de março de 1898, Alberto Santos-Dumont,
acompanhado pelo professor Garcia, estaciona seu automóvel no
Parc-de-Vaugirard, ansioso para realizar o primeiro passeio pelos céus.
Encontra Lachambre, Machuron e funcionários que inflavam o balão contratado
para o voo.
Em menos de uma hora, o aeróstato estava pronto para
decolar. Santos-Dumont, muito animado, pega um cestinho com lanches, pendura no
pescoço a máquina de retratos, o binóculo e, já a bordo, acomoda-se ao lado de
Machuron, que logo pergunta:
- Podemos desatar as cordas, rapaz?
- Claro.
- Muito bem. Não se esqueça de pedir ajuda aos deuses,
porque haja proteção divina para quem está com os pés no espaço. Não é mesmo?
- Não se preocupe. Na verdade me sinto como se estivesse
em terra: tranquilo, tranquilo. Vamos subir.
O piloto logo ordena:
- Pode soltar as amarras, mano.
- Oui.
Dou-lhe uma... Dou-lhe duas e zás!
- Obrigado.
- Bons ventos para o balão. Divirtam-se
– grita o balonista em terra.
O professor Garcia, atento ao movimento,
acena com as duas mãos, gritando:
- Vão com
Deus! Vão com Deus!
Livre o
balão começa a se elevar. Subia lentamente, mas tão seguro e agradável, que
logo aquieta a conversação entre os dois companheiros de viagem. No primeiro
momento, mesmo surpreso com a cidade cada vez mais distante, dissimulando seu formigueiro
humano lá embaixo, Santos-Dumont experimenta uma pequena sensação de frio na
barriga que, depois de alguns minutos, desaparece por completo.
Do alto, o brasileiro fica admirado com o solo de Paris
em visão cartográfica, que repartia com precisão o aglomerado urbano e rural ao
mesmo tempo, tudo em dimensões mínimas como se fosse de brinquedo.
- Veja que bonito Machuron, ver a cidade lá embaixo
completamente pequena!
- Também gosto.
- Perfeita com uma maquete, não
é mesmo?
Naquela inspeção surpreendente de Paris, com o olhar
espalhado na claridade aberta, Alberto admirava toda a variedade de tons do
céu, da água e da vegetação. Excitado pelo cenário, prepara a máquina e começa
a fotografar tudo lá embaixo: o Bois-de-Vincennes com seus lagos, o Panthéon e
sua majestosa cúpula, a Catedral de Notre Dame, o Palais L’Eysée e a Torre
Eiffel, construída na margem esquerda
do Sena, o rio mais emblemático da Europa, com seus Bateaux Mouche.
Duas horas após a decolagem, a mais de três mil metros de
altura, o balão voava ao sabor de uma leve e acolhedora corrente aérea. Depois
de fotografar tudo que lhe interessava, Santos-Dumont passou a registrar numa
caderneta de rascunhos os fenômenos atmosféricos.
Pouco depois, o brasileiro quebra o silêncio:
- Machuron?
- Oi! -
atende o piloto, fitando o rapaz de forma distraída.
- Bonito tudo isso, não é mesmo?
- Muito.
- Experiência para a gente não esquecer
nunca mais. Olha como o sol abençoa Paris lá embaixo?
- Sim.
- Meu Deus, jamais imaginei ser tão boa
a sensação de uma viagem no meio do céu!
- Ã-hã.
- Estamos
alto que sinto que o ar que respiro vem de outro tempo, daquele que só existe
nos livros de Júlio Verne. Coisa de louco!
- Bom
sinal, rapaz.
Alberto elogia a cidade:
- Visual de cair o queixo. Especialmente, do Vale do
Loire.
- É certo.
- Aquele é o Castelo Le Château D’Esclimont? - pergunta
Santos-Dumont com entusiasmo.
- Ele mesmo. Fica pouco mais de cinquenta quilômetros de Paris.
- Fantástico!
- Foi cenário para medonhas batalhas. De um lado, um
grupo defendia suas torres e o os altos muros de pedra. Do outro, um bando de
guerreiros procurava invadir a propriedade para uma nova conquista na base da
força.
- Conheço a história. Os castelos sempre mexeram com a
imaginação das pessoas, não é mesmo?
Machuron concorda, ressaltando:
- Os franceses antigos não deixavam por
menos. Davam tudo por uma guerra!
- Sim.
Risos. Machuron:
- Percebo que o brasileiro é um grande
observador.
- Por isso mesmo fotografei o que minha
lente pode captar. Tudinho.
- Pretendo o quê com tantos retratos?
- Depois eu conto. Por enquanto, vamos cortejar a Torre
Eiffel lá embaixo, a bela dama Paris.
- Ah, sim.
Pausa. Em seguida, Machuron com as mãos no estômago,
observa:
- Muito bem. Muito bem. Não sei a razão, mas voar me dá
uma fome danada.
- Fala isso porque sabe que trouxe uma cesta com lanches,
não é mesmo?
- O que
tem de gostoso aí?
- Ovos cozidos.
- Adoro ovos cozidos. Que mais?
- Ovos cozidos.
- Adoro ovos cozidos. Que mais?
- Já seria um sucesso saborear ovos cozidos, flutuando
entre as nuvens, não?
- Certamente.
- Trouxe frango assado, queijo, frutas, brioches e croissants de maçã. Também uma garrafa de Champagne.
Machuron
ri de prazer.
- Háháhá... Adoro Croissant!
- Háháhá... Adoro Croissant!
Santos-Dumont pega o cesto de vime, afasta a tampa e
deixa o piloto à vontade para pegar o que quiser. Depois, abre a garrafa do
vinho borbulhante, enchem os dois copos e celebram a viagem.
- Um brinde ao meu primeiro voo. Saúde!
- Tim-Tim.
- Melhor impossível.
Depois, o instrutor com ar cândido,
devora o lanche oferecido por Alberto. Satisfeito, pergunta:
- Agora, rapaz, me conta o que tanto anota nesse
caderninho.
- Registro tudo que
me parece importante, principalmente, as variações das correntes de ar, as
espessuras das nuvens e as mudanças de temperatura..., coisas assim. Preciso
saber. Futuramente podem me ajudar a driblar as dificuldades e os perigos num
voo. Observações climáticas. Entendeu?
- Pretende mesmo fazer novas ascensões?
Alberto,
convicto:
- Sem a menor sombra de dúvida. Ou acha que estou
brincando de voar?
- Não teve vertigem hora nenhuma?
- Nada.
- Então é um balonista nato. Ambiciona seguir a carreira?
- Evidente.
- Pois bem. Precisa de disposição, gosto pela coisa e o bolso
recheado de dinheiro. E, quando estiver no ar, a manobra de balão exige atenção
redobrada do piloto e alguma sorte – avisa Machuron.
- Não se preocupe, vim a Paris determinado a encarar esse
desafio. Por isso estou exercitando o otimismo para dar mais peso ao
empreendimento.
- Très bien.
- Conto com o seu apoio e de seu irmão. Está de acordo?
- Claro.
- Se é assim, tudo bem. Vamos conversar em terra firme.
- Claro, claro. Não há melhor escola do que as viagens de balão
para aprender tudo que se conhece no mundo de hoje sobre balões.
- Evidente.
Machuron tira o relógio do bolso e confere.
- Três horas de navegação. Melhor descer, não?
- Estamos a quantos quilômetros do ponto de partida?
- Cerca de cem, calculo.
- Onde vamos aterrar?
- Ali, olha..., no parque do Castelo de La Ferrière,
propriedade do senhor Afonso de Rothschild.
Santos-Dumont balança a cabeça
concordando. O piloto ressalta:
- Espero que ele goste da movimentação.
-Também.
- Então, ao solo. Preparar! – grita o piloto.
Ao perceber o balão descendo em seus domínios, o Barão
reúne os familiares e os funcionários para assistir a aterrissagem. Em terra
firme, após acalorados cumprimentos e largos elogios, o nobre senhor convida os
pilotos para tomar chá no Castelo. Antes, escala quatro empregados para
recolher o balão e seus apetrechos, acomodar tudo num carroção e, em seguida,
transportar a bagagem até la gare próxima.
Após o lanche, numa confortável carruagem, o ilustre
senhor leva os balonistas para embarcar em le train sur rail de volta a Paris. Momento em que os
três, numa conversa animada, além de falar da ciência do balonismo, contaram
casos e riram muito durante o trajeto rodoviário.
No retorno, enquanto o trem de ferro sacolejava engolindo
os trilhos, Alberto sorria satisfeito para provar a si próprio que a aventura
de voar era possível na sua vida. Ao apear, ainda com os raios de sol tingindo
de tons alaranjados o céu parisiense, Santos-Dumont promete a Machuron tornar a
conversar sobre uma nova ascensão.
-
Adorei o passeio, amigo. Podemos combinar outras ascenções.
- Quando quiser. Estamos à sua
disposição.
- Obrigado, me
aguarde. Vivi um momento de inesquecível beleza, pode crer.
- Boa noite,
rapaz.
- Hey ho, let’s go.
Despedem-se. Alberto toma um coche e vai descansar em
casa, convencido de uma coisa: tinha adorado passar boa parte do dia envolvido
com um balão flutuando no ar.
- Como é gostosa, fascinante a sensação de voar. Meu Deus,
sonhar é bom, realizar é tudo - dizia para si a caminho de casa, repetidas
vezes.
* FBN© - 2013 – Santos-Dumont nas Alturas. Primeiro Voo – Cap. 10 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO –
Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa
Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da
Internet - Link:
http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/o-primeiro-vo-em-balo.html
- 10 -