*
Primeira corrida automobilistica no Brasil - 1909
Santos-Dumont sabia que, para conciliar o desejo de ascensão social numa cidade que dispunha de um celeiro de talentos, provenientes da nata intelectual de várias partes do mundo, teria que trabalhar muito e estabelecer vínculos fortes com a sociedade parisiense.
Durante o primeiro semestre do ano de 1893,
constantemente, Alberto Santos Dumont era visto fazendo testes de velocidade
pela cidade com suas motocicletas, adaptadas com motores aprimorados por ele, o
que atraia a simpatia da sociedade parisiense. Tanto que virou notícia
constante nas páginas dos jornais franceses pelas peripécias que promovia com
suas máquinas.
Apoiado por um grupo de pessoas e empresas interessadas,
o brasileiro aluga o velódromo Parc-des-Princes, ao sul do Bois-de-Boulogne, e realiza com sucesso a primeira
competição de veículos motorizados que se tem notícia no mundo. A imprensa da
época não poupou elogios ao idealizador e passou a chamá-lo carinhosamente de Petit Santô, tornando-o símbolo patrimônio franceses. A
partir daí choveram convites para se estabelecer de vez em Paris.
O jornal Le Monde circulou no dia
seguinte com a manchete: ‘MARAVILHOSA. IMPERDÍVEL. ASSIM FOI A LARGADA
HISTÓRICA DA PRIMEIRA CORRIDA AUTOMOBILÍSTICA DA FRANÇA. A legenda, abaixo da
foto de Alberto Santos Dumont ao volante de um triciclo ilustrando a matéria,
publicava:
Por mais de uma hora a
emoção aconteceu nas pistas do Parc-des-Princes, fazendo barulho na cultura
francesa. Acirrada tornou-se a disputa pelo primeiro lugar no evento, promovido
pelo senhor Alberto Santos Dumont. A nova modalidade de esporte, testada pela
primeira vez em Paris, deverá incorporar o frenesi do dia-a-dia da cidade,
atraindo uma multidão fanática pela velocidade. Quiçá de outras capitais no
continente.
Aclamado pelos acontecimentos Alberto
torna-se o grande ídolo da sociedade francesa, oportunidade em que o piloto
tira pleno partido, granjeando-lhe o acesso ao reduto dos sábios que
elaboravam, em largas discussões diárias, a revolução científica e cultural do
século XIX. Tornou-se amigo da poetisa Gertrude Stein e passou a visitar sua
casa, considerada o ponto de encontro de personalidades do mundo cultural de
vários países, em frequentes e animados saraus.
A partir daí foi plenamente aceito pela sociedade
francesa. Passou a ser visto nos salões mais requintados de Paris, além de
assíduo frequentador de centros de recreio esportivo para praticar iatismo e
tênis em companhia de membros da elite francesa.
Grato pela acolhida, Alberto rende homenagens ao povo
francês e passa a assinar Santos-Dumont,
numa demonstração de respeito à sua origem franco-brasileira. Certo dia, ele
declara aos jornalistas:
- Foi muito bom ter escolhido Paris para viver e desenvolver
meus estudos de mecânica. Encontrei uma cidade acolhedora, um povo diligente,
pronto para me ajudar a crescer. Seu traçado urbano e seu espaço celeste são as
academias de minha alma de cientista, portanto, posso dizer que nasci pela
segunda vez em Paris, inspirado por aquela ‘luz-liberdade’ que ilumina a todos
que vivem numa cidade alegre, deliciosa, encantada.
Em junho de 1893, estimulado pelo professor Garcia,
Santos-Dumont vai a Londres, como aluno-ouvinte, para assistir aulas de
mecânica avançada na Universidade de Bristol. De volta a Paris, em 1894, fica
na cidade até o final de 1896, quando embarca para mais um período no Brasil.
Após as festas natalinas, Santos-Dumont regressa à
França, munido de uma vontade inabalável de abraçar o balonismo com todo
empenho possível. Na bagagem leva exemplares do livro Andrée - Au Pôle Nord en
Ballon, escrito pelos franceses
Lachambre e Machuron que, por acaso, comprou numa livraria do Rio de Janeiro,
horas antes de embarcar.
O livro, cheio de reflexões, traduz-se
numa leitura que estimula Alberto a procurar novos ângulos e olhares para o
balonismo. Na obra, os irmãos dividem suas experiências de passeios em balões
com os leitores, conjeturando sobre o processo de uma viagem agradável e
segura.
Em Paris, mesmo decidido a iniciar suas experiências no
balonismo, Santos-Dumont projeta e monta um motor a explosão de dois cilindros.
Adapta-o a um triciclo e acompanha parte de uma corrida de automóveis entre
Paris e Amsterdam.
Nesse mesmo ano, adquire o novo modelo do Panhard, equipado com motor de um cilindro, de
797 cm3, refrigerado a água. Entusiasmado, Alberto testa o automóvel na estrada
de Paris a Nice, vencendo a rota de quase mil quilômetros em 54 horas de
viagem.
Satisfeito com o desempenho do veículo, o inventor
declara à imprensa que foi uma viagem ao futuro, pilotando um carro cheio
de atitudes, produzido com uma teconologia que, certamente, será importante ao desenvolvimento da
indústria automobilística na longa história que teria pela frente.
Nesse mesmo ano, compra o apartamento da Rua Washington,
esquina com Avenida Champs-Élysées, próximo à Praça da Concórdia, com vista
para o Champ-de-Mars, o Arco do
Triunfo e a Torre Eiffel.
A capital francesa exercia nele uma grande atração. Por isso
mesmo decidiu comprar um imóvel definitivo em Paris. O ambiente e a paisagem
desempenhariam uma duradoura impressão no espirito saudosista do jovem
inventor, com posteriores reflexos em sua obra.
* FBN©
- 2013 – Primeira Corrida
Automobilística do Mundo – Cap. 08 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO –
Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa
Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da
Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/primeira-corrida-automobilsca-do-mundo.html
- 08 –