21.9.08

25/XXV – TAÇA AEROCLUBE DA FRANÇA. NOVO VOO. OUTRO DESAFIO.

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Alberto Santos-Dumont


Imagem: Internet



Perseverante, Santos-Dumont queria sempre mais. Em menos de um mês da primeira prova, a bordo do 14-Bis, ele ganha também o Prêmio do Aeroclube da França, com uma aeronave que fosse capaz de levantar voo por si só, voasse no mínimo 100 metros e pousasse com segurança.
 
 

Para concorrer ao Prêmio do Aeroclube Clube da França, Alberto Santos-Dumont apresenta o 14-Bis, equipado com ailerons (flaps), pequenas asas de movimentação recíproca colocadas na ponta das asas para controlar o giro do aparelho, manter seu equilíbrio horizontal e proporcionar voos mais longos - apetrechos que manejava ao inclinar para a direita ou para a esquerda, por meio de cordões atados nas costas de seu casaco.
            No dia da prova, 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont acorda otimista, confiante em mais uma vitória. Quando chega ao Campo de Bagatelle surpreende-se com a multidão de admiradores que esperava pelo evento. Otimista, comenta com um de seus mecânicos:
- Quem hoje amanheceu pensando participar de um dia especial, pode confiar em mim. Prometo não decepcionar ninguém em Bagatelle.
Exatamente às 10 horas da manhã, o brasileiro toma lugar no posto de comando do 14-Bis e dá a partida no motor. Em seguida roda alguns metros pelo relvado de Bagatelle, decola a favor do vento e voa apenas 40 metros, a quarenta centímetros do solo, sem atingir as marcas previstas. Pede uma segunda chance à comissão organizadora do evento. Portanto, às 10h25 realiza faz outra tentativa, voando apenas 60 metros. Como também não logrou êxito, aceita uma terceira prova. Mas, antes convoca seus mecânicos para uma revisão geral na aeronave, e tentar melhorar o desempenho da aeronave.  Depois de uma minuciosa checagem, às 16h09, novamente, o 14-Bis decola e voa apenas 82,60 metros em 7,2 segundos, numa velocidade média de 41,3 km/h, novamente, sem alcançar os 100 metros estabelecidos no regulamento do Aeroclube Clube da França.
Persistente, Santos-Dumont parte para a quarta e última tentativa. Dessa vez, movido por uma forte e inteligente intuição, resolve decolar contra o vento. E assim, às 16h45, com a máquina posicionada do outro lado da pista, deixa o avião rolar no chão por uns segundos e, num instante, o 14-Bis sobe 1, 2, 4, 6 metros e logo passa sobre a cabeça de todos, faz uma curva, desacelera e aterrissa, perfazendo 220 metros de voo com total segurança.
            A plateia se empolga. E começa a gritar:
            - Vive L’Santô!!! Vive L’France!!!
            Emocionado com a vitória, Santos-Dumont desce do avião, acenando para todos os lados, em agradecimento ao carinho e a paciência do povo francês. Em pouco tempo, a comissão julgadora declara Alberto Santos-Dumont vencedor do prêmio do Aeroclube da França. O presidente francês, Émile Loubet, foi o primeiro a tecer publicamente elogios ao brasileiro:

            - É admirável o talento de Alberto Santos-Dumont. Impressiona-me a vocação que esse jovem possui para desvendar os mistérios da navegação no espaço aéreo, vislumbrando no céu um prodigioso meio de transporte. É fantástico!

            Depois de uma pausa e, com um dos braços envolvendo os ombros do aviador, conclui:

- Posso garantir, sem o menor medo de errar, que a obra desse homem servirá de base na construção de um futuro promissor para a Humanidade. O 14-Bis simboliza tudo que já foi feito em prol da navegação aérea e, principalmente, o começo do que virá no futuro da aviação. Posso garantir também que você terá uma estátua em cada canto do planeta, como o gênio da Humanidade. Parabéns!
            Após outros discursos inflamados, o aviador Jacques Fauré põe Santos-Dumont sobre os ombros e, acompanhado por um enorme grupo de admiradores, sai caminhando pelas ruas de Paris até o Restaurante Maxim’s, onde o inventor daria uma entrevista coletiva à imprensa.
            Para laurear ainda mais o fato histórico e a grande alegria dos parisienses, pelas sete horas da noite, começava a destacar nos pontos de venda de jornais, a edição extra do Le Matin com a foto de capa do 14-Bis em pleno voo. Na manchete a reprodução das palavras do piloto ao deixar a aeronave no Campo de Bagatelle:
 
          NINGUÉM, ANTES DE MIM, FÊZ IGUAL.
 
            Na legenda da foto, o texto: Alberto Santos-Dumont decolou com sua surpreendente aeronave, voou mais de 220 metros a seis metros de altura e aterrissou, sem transtornos, no relvado de Bagatelle. Feito que, até hoje, nenhum ser humano logrou êxito.
As duas últimas premiações transformaram o inventor brasileiro em um dos homens mais célebres de seu tempo. Não só na imprensa seu nome passou a ser cultuado, mas em todo tipo de suporte, como cartões postais, louças e até caixas de fósforos.
O local do voo histórico no Campo de Bagatelle virou um dos pontos turísticos mais frequentados de Paris. No local foi construído um marco de granito, assinalando os primeiros recordes de aviação estabelecidos por Alberto Santos-Dumont. Mais um motivo para visitar o Bois-de-Boulogne, respirar o seu tradicional ar romântico e viver a imagem inesquecível da Belle Époque francesa. 
Para fechar o ano com chave de ouro, no dia 11 de novembro de 1906 Santos-Dumont também participou da Taça Gordon Bennett, saindo de Paris no balão Deux Amériques, descendo em Bernay.
        
 
Ata do Aeroclube da França
 
A Franchi Hier 220 Mètres
 
« Bagatelle, 12 novembre 1906. Nous, soussignés, des représentants de l'Aéro-Club de France, chargé de contrôler les « visu » expérience de 14 Bis, construit par m. Alberto Santos-Dumont, nationalité brésilienne, a formulé l'ata suivant, c'est-à-dire le processus verbal que nous l'avons vu. Après une première expérience sur 8-0 et 40 minutes, une deuxième expérience a été effectuée dans la direction opposée à la première. Cette tentative, après une courte distance de 200 mètres corridos sur le sol, la Santos-Dumont debout très soigneusement. Les trois roues de l'instrument a cessé d'être en contact avec le sol. L'unité est passé à une hauteur qui le soussigné évaluer dans 80 à 90 cm et ce avec un cours de 270 mètres, avec une vitesse de translation évaluée dans 60 à 63 milles à l'heure. Ass. Archidiacre-Président de la Commission sur la Aeroclube. Ass. Faure, Sucouf, Besanç et Tissandier.
 
Tradução para português:
 
             “Bagatelle, 12 de novembro de 1906. Nós, abaixo-assinados, representantes do Aeroclube da França, encarregados de controlar “de visu” a experiência do 14 Bis, construído pelo Sr. Alberto Santos-Dumont, de nacionalidade brasileira, formulamos a seguinte ata, isto é, o processo verbal do que vimos. Depois da primeira experiência, às 8 horas e 40 minutos, uma segunda experiência foi executada no sentido contrário ao da primeira. Nesta tentativa, depois de um pequeno percurso de 200 metros corridos sobre o solo, o aparelho de Santos-Dumont se levantou muito nitidamente. As três rodas do aparelho deixaram de estar em contacto com o solo. O aparelho subiu a uma altura que os abaixo-assinados avaliam em 80 e 90 centímetros, e isto com um percurso de 270 metros, com uma velocidade de translação avaliada em 60 a 63 quilômetros por hora. Ass. Archdeacon - Presidente da Comissão do Aeroclube. Ass. Faure, Sucouf, Tissandier e Besançon - membros da comissão.

 

* Documento que registra o voo histórico de Alberto Santos-Dumont.
* * Apenas dois estavam inscritos ao Prêmio do Aeroclube, Santos-Dumont e Gabriel Voisin, que foi desclassificado por não conseguir decolar com o seu Blériot IV.
 
 
* FBN© - 2013 Taça Aeroclube da França. Novo Voo. Outro Desafio.
– Cap. 25 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/taa-aeroclube-da-frana-outro-desafio.html
 


 
 
 
 

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