21.9.08

32/XXXII - Casa de Cabangu. Santos-Dumont Volta para a Região onde Nasceu.

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Cabangu




Basta fechar os olhos e imediatamente minha cabeça

zumbe como uma colmeia de abelhas, revendo rostos, árvores, casas e muitas

outras imagens armazenadas no baú da infância. Capturo

o gosto do cuscuz, a figura do fogão que fervia a água para o

café passado por Nhá Berta . Arre!... Lembro-me do cheiro dessa bebida que invadia todos os espaços da casa e ia se mesclar ao cheiro do funcho que flutuava nos
jardins cuidados por minha mãe. Recordar de tudo isso me emociona, porque faz muito tempo que essa alegria se extinguiu da minha existência. Agora que tenho a felicidade de reviver tudo isso, sinto-me muito feliz por dentro e por fora – escreve Santos-Dumont receber a notícia que poderia voltar a viver na antiga habitação de Cabangu.

 

           


Em 1919, o Congresso Nacional doa a Casa de Cabangu a Alberto Santos-Dumont que, perto de transportar a fronteira dos 50 anos, passa a residir no local, sem abandonar sua morada em Petrópolis. Entusiasmado com a volta ao passado distante, o inventor restaura a construção e, da França, importa boa parte do mobiliário.

Novamente em Cabangu, com o rosto já marcado pela autoimagem de melancólico, o cientista respira ares de felicidade, como se levasse sua alma a passear por todos os lugares por onde passou quando menino, causando-lhe uma impressão extraordinária!

Afortunado com o retorno ao berço natal, Alberto Santos-Dumont declara a um jornal da região:

- Quando você chega a seu limite, o caminho natural é voltar para a sua essência. Aqui vou tomar o café moído na hora com braços fortes, torrado com olhos curiosos e apanhado num lugar distante da memória, quando, lá na Fazenda Dumont, o sol banhava os grãos coloridos no terreiro de secagem - um verdadeiro encanto, um sossego sem fim. Isso me emociona muito. Em Cabangu, mesmo com a preferência pela reclusão, terei todo o tempo para ler e refletir minha jornada pela vida. Sobre as várias casas que morei durante a minha existência, nunca me incomodei com as mudanças constantes, peregrinações realizadas desde a infância, pois morava dentro de mim próprio e, o mais importante, era a inspiração que desfrutava no isolamento de meu quarto.

Santos-Dumont compra mais terras no entorno do sítio, contrata o administrador rural João Aires e inicia a criação do gado holandês, novidade que despertou interesse aos outros fazendeiros do município de Palmyra. Frequente em visitas à cidade, logo criou laços de amizade com a população local, tanto que, oito dias após sua morte, em 23 de julho de 1932, a municipalidade mineira toma emprestado o nome de seu filho mais ilustre e passa a chamar Santos-Dumont. O Sítio de Cabangu, por testamento do próprio inventor, volta ao poder da União. 

Mais tarde, em 23 de outubro de 1973, o Governo de Minas cria o Museu Santos-Dumont, mantido pelo Ministério da Aeronáutica, pela Prefeitura Municipal de Santos-Dumont e pela Fundação Casa de Cabangu.

            O museu acomoda mais de 1500 peças. Logo na entrada uma placa do gênero: ‘Aqui nasceu Alberto Santos-Dumont’. No acervo, entre objetos pessoais e familiares, documentos, cartas, livros, desenhos, fotos de suas experiências aéreas, dois bustos do inventor e uma réplica do 14-Bis - tudo catalogado e organizado pelo jornalista Oswaldo Castelo Branco.

            Próximo à sede, foi construído um mirante e uma plataforma para saltos de asa delta. Também lá, o governo de Minas Gerais, durante a Semana da Asa, promove a condecoração de pessoas que destacaram na vida nacional com a Medalha Santos-Dumont.

O passado, para Santos-Dumont, não parecia melancólico nem nostálgico, mas voltar a viver na terra em que nasceu era uma forma de refúgio recheado de lembranças do tempo de infância.

- Que bom poder voltar a seu tempo de menino, através das paisagens, dos sabores e dos cheiros do mato. Em Cabangu está todo o início de minha história de vida. Portanto, repousar na casa de Cabangu é uma lembrança do tempo passado, uma volta emocionada à idade em que me leva a usufruir de uma recordação emocional muito forte, como por exemplo, saborear um prato preparado no mesmo fogão que lembra minha mãe – dizia o cientista nos encontros com os amigos.

 

 

 

* FBN© - 2013 -  Casa de Cabangu. Santos-Dumont Volta para a Região onde Nasceu.

– Cap. 32, de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet. Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/casa-de-cabangu-santos-dumont-volta.html


 

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