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O
jovem Alberto Santos-Dumont, um aerocientista que pensava de forma
independente, sabia que, para subir na escala social de Paris e oferecer sua
contribuição à ciência aeronáutica, teria de ser agressivo nas ações e, ao
mesmo tempo, solidário com a classe intelectual e científica.
Com o dinheiro recebido pelo Prêmio de
Encorajamento, o inventor brasileiro institui o Prêmio Santos-Dumont para quem, sem limite de tempo,
partisse de Saint-Cloud, contornasse a Torre Eiffel e retornasse ao ponto de
partida.
O prêmio, cuja finalidade principal era
encorajar e desenvolver o estudo do balonismo e a sua aplicação, promover a divulgação
das formas e utilidades dos balões entre a juventude de todas as classes
sociais do mundo. Desse modo, proporcionaria aos adeptos da aerostação grande oportunidade
para demonstrar seus méritos, também estimulados pela premiação. O concurso
seria realizado, anualmente, entre 1º de maio a 1º de outubro, de acordo com o
regulamento publicado em 14 de janeiro de 1901, no jornal parisiense Le Public.
Da iniciativa, o inventor declarou à
imprensa:
- A confiança que o povo francês tem no
porvir não nasce da fantasia ou do sentimentalismo, mas na razão, nos fatos e
no constante desenvolvimento da mecânica e da ciência. Portanto, torna-se
necessário oferecer às pessoas acesso a eventos dessa natureza, com a
finalidade de estimular mais e mais interessados em seguir a carreira
aeronáutica - quero garantir um futuro para as próximas gerações. O prêmio tem
como objetivo descobrir talentos para mudar o presente e construir um futuro
melhor para a Humanidade. Especialmente, instigar a reflexão sobre os novos
rumos da aviação.
Depois de um fôlego, mais enfático:
- Sou de carne e ossos, emoções e sentimentos. Por isso
mesmo, gosto de ver as coisas acontecendo ao meu redor. A finalidade desse
prêmio é peneirar e revelar novos balonistas em Paris, porque sempre haverá
outros Santos-Dumont, obcecados para voar!... Sempre haverá céus e pilotos
atraídos pela aventura de desafiar o espaço infinito.
Alberto
Santos-Dumont tinha plena consciência do papel que ele representava na
sociedade científica francesa. Não se envaidecia com isso, porque sabia
respeitar a capacidade dos outros e, por isso, pretendia dar oportunidade a
novos talentos, criando espaço para que os balonistas expusessem suas obras no
confronto com os outros.
Como a iniciativa não teve nenhum
concorrente para disputar, virou premiação abstrata, sem nunca ter realização
um torneio no céu de Paris.
* FBN© - 2013 – Prêmio Santos-Dumont. – Cap. 13 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM
SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto -
Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.:
Imagens da Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/prmio-santos-dumont.html
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