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Museu Santos-Dumont - Petrólis/RJ
Santos-Dumont não deixava idéias enfurnadas em seu cérebro.
Até mesmo para arquitetar uma casa para morar ele usou todo seu talento e criatividade
na construção de sua morada em Petrópolis. A vida é assim, voa para frente - pensava o cientista.
Em 1918, quando retorna ao Brasil para
ficar de vez, Alberto Santos-Dumont decide morar em Petrópolis, onde havia
comprado um terreno na encosta do Morro do Encanto. Ele mesmo elabora o projeto
arquitetônico de um chalé alpino e entrega a construção ao engenheiro Eduardo
Pederneiras, o mesmo construtor do Hotel Copacabana Pálace.
A casa, depois de pronta, torna atração
na cidade e fica conhecida como A Encantada. Sem paredes internas, as divisões
dos cômodos foram feitas pela localização nos diferentes planos da encosta do
terreno. No primeiro piso, um laboratório fotográfico e uma sala de
encadernação de livros. No segundo, a sala de estar-jantar e a biblioteca -
desse plano inicia uma escada íngreme e vazada, feita com degraus alternados e
recortados de tal forma que, um lado é largo e o outro estreito, permitindo
subir sem bater com os pés no degrau superior, evitando acidentes. Detalhe: a
subida só é possível começando pelo pé direito.
Terceiro piso: o escritório e o
dormitório, tudo junto. Sem cama, o inventor usava a mesma superfície da cômoda
para, durante a noite, colocar um colchão, retirado de um nicho especialmente
projetado. Nesse plano a novidade maior é o banheiro equipado com chuveiro de
água quente. Isso é, através de duas alavancas ligadas a dois reservatórios, um
de água fria e o outro com água aquecida a álcool. Na hora do banho, o
cientista controlava a mistura em balde com orifícios no fundo.
Apaixonado pela observação do céu e do espaço, o cientista
construiu na cobertura, ao ar livre, um pequeno observatório espacial, equipado
com um telescópio de grande alcance. Na cobertura da casa, todos os dias pela
manhã o cientista hasteava a Bandeira Nacional - cerimônia seguida de uma
revoada de pombos, que ele cevava com grãos de milho. Para ele o homem deveria
viver em sintonia com a natureza, permanentemente.
Na Casa do Encantado o
inventor passa uma boa parte de sua vida de reclusão espontânea, repensando
suas invenções, seus engenhos. Dedicado à literatura, como se escrevesse para
mudar as coisas que existem, termina a redação de seu livro O Que Eu Vi O Que
Nós Veremos. Obra que, para ele, leva o leitor além do que se pode enxergar
sobre a sua longa trajetória de vida.
Dona Eulália, a
sua funcionária doméstica, certa vez revelou:
- O doutor Dumont, quando está aqui,
passa o tempo todo estudando e trabalhando, saindo apenas para ligeiros
passeios ao centro da cidade. Quase sempre está só. A noite passa horas
inteiras no seu observatório, no telhado da casa, olhando as estrelas.
Depois de uma pausa, ela finaliza:
- Certo dia perguntei ao cientista
por que construiu uma casa com tanta escada. Ele me olhou cheio de curiosidades
e me respondeu que, em Petrópolis, a qualquer lugar que se vai tem escada para
subir. Assim sendo, logo achou que aquilo seria uma boa maneira do povo da
cidade manifestar sua inteligente prática para se aproximar cada vez mais do
topo, do céu. Aí ele resolveu fazer o mesmo.
* Atualmente, a casa abriga o Museu
Santos-Dumont e fica na rua do Encanto, 22 – Petrópolis/RJ.
* FBN© - 2013 - Em Petrópolis, a Encantada. Uma Casa Muito Engraçada
– Cap. 31, de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada
– Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto
original em português - IIustr.: Imagens da Internet. Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/em-petrpolis-encantada-uma-casa.html
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