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Maria-fumaça
Engenheiro graduado na França. Henrique Dumont escalou a subida da Serra da Mantiqueira para incrustar trilhos nas montanhas de Minas Gerais e abrir caminho para o ‘trem-de-ferro’ passar a caminho de Sabará. Mais tarde, obcecado pelo desenvolvimento do país, tornou-se agricultor na região de Ribeirão Preto, onde implantou uma das maiores fazendas de café das Américas, no século XIX .
Henrique Dumont nasceu em Diamantina, província de Minas Gerais, em 20
de julho de 1832, filho do casal francês François Dumont e Eufrásia Honoré. Aos
dezessete anos inicia seus estudos na École des Arts et Métiers de Paris. Forma-se em engenharia. De volta ao
Brasil trabalha para Prefeitura de Ouro Preto, capital da província de Minas
Gerais, quando conhece e casa com a jovem Francisca Santos, descendente de
família nobre. O pai dela era o comendador Francisco de Paula Santos.
Em 1872, ao assumir a construção
do trecho da Estrada de Ferro Pedro II, ligando Barbacena a Sabará, muda-se
para a sede da Fazenda do Engenho, onde nasce o filho Alberto. Pouco tempo
depois, com o imóvel destruído por um incêndio, a família passa a viver numa
casa no canteiro de obras da ferrovia, construída para ser a residência do mestre
de linha, Faustino de Jesus.
No mês de março de 1875, com o fim da construção da ferrovia, instala-se
na Fazenda do Casal, comprada pelo sogro no município de Valença. Em 1879,
falece o comendador. No mesmo ano, Henrique Dumont adquire a Fazenda Arindeúva,
próxima a Ribeirão Preto, e muda-se com a família, oitenta escravos e 300
contos de reis para o Estado de São Paulo, estimulado a se dedicar ao cultivo
de café.
Troca o nome da propriedade para Fazenda
Dumont e inicia o plantio de milhares
de pés de café, espalhando na terra roxa os primeiros da espécie conhecida por Bourbon.
Também começa a construir a nova sede, projetada à moda dos casarões coloniais
de Diamantina com dois pavimentos, 16 janelas azuis abertas ao verde das
colinas e coberta com telhas tipo canoa.
Depois de pronta, o andar superior da habitação ficou com oito grandes
quartos de dormir. Em baixo, a fim de tornar o serviço doméstico mais cômodo, a
cozinha foi construída ligada às duas salas do casarão. A de refeição, composta
por cristaleiras e uma mesa imensa de madeira rija e dez cadeiras com estofos
de damasco verde, lembrava o esplendor de uma corte europeia.
A sala de visitas, composta por um
vasto canapé e quatro elevadas poltronas de couro, também todo o requinte
europeu. Nas paredes haviam muitos quadros dependurados e, sobre a lareira, descansava
um velho relógio alemão. No fundo ficava o piano de calda para solfejar notas
musicais nos serões ocasionais que a família Dumont promovia entre amigos.
Em
dois compartimentos menores de portas para a varanda, Henrique reservou para
instalar o serviço administrativo da Fazenda Dumont. Em um deles, montou seu
gabinete particular com apenas um divã médio, três cadeiras, escrivaninha,
chapeleiro e uma imponente estante de livros. De uma parede pendiam gravuras de
Napoleão Bonaparte montado no seu cavalo Branco, brandindo o sabre. De outra,
uma coleção fabulosa de armas antigas: garruchas, arcabuzes, sabres, clavinotes
e revólveres dos Estados Unidos e da Europa, inclusive um punhal torto de
Damasco, protegido pela bainha de couro bordada a fogo. Como em um reino
particular, a casa foi toda mobiliada para decorar e conferir personalidade aos
ambientes.
Do lado de fora do casarão, dona
Francisca cultivava um extenso jardim com grande variedade de flores, que
arrancava a admiração de quem o visitava. O local também abrigava uma capela
feita de pau a pique, tendo à sua frente, um chafariz de bronze forjado em
Paris - mais uma lembrança do passado entre tantas coisas. Logo abaixo da sede,
destacava uma vasta carreira de casas de alvenaria construídas para acomodar os
serviçais da fazenda.
Movido pelo rigor administrativo e
capacidade para aceitar desafios, Henrique Dumont alforriou todos seus escravos
bem antes da Lei Áurea. Para capacitar seus trabalhadores, ele montou um centro
de habilitação de obreiro na propriedade, pensando em melhorar o desempenho dos
trabalhadores contratados. Dentre eles, negros foros, quilombolas e imigrantes
que chegavam para atuar nos cafezais brasileiros.
Como resultado, em pouco mais de dez
anos, o engenheiro colocou a Fazenda Dumont
entre as mais produtivas da América do Sul, explorando cerca de cinco
milhões de pés de café numa produção destinada à exportação. A lavoura rendia
tanto que, para transportar os grãos até o Porto de Santos, mantinha uma
estrutura viária com sete locomotivas para puxar dezenas de vagões nos 96
quilômetros de estrada de ferro, dentro da propriedade, que se ligava aos
trilhos da Ferrovia Alta Mogiana.
Vendida
aos ingleses em 1890, marcou uma das maiores operações empresariais realizadas
no Brasil. Meio século depois, em 1942, surgiu no lugar o povoado de Dumont
como distrito de Ribeirão Preto. Em 1964, emancipado como município.
* Em 30 de
agosto de 1892, com 60 anos de idade o engenheiro Henrique Dumont faleceu na
cidade do Rio de Janeiro. Em 1902, aos 67 anos, dona Francisca Santos Dumont
põe termos à própria vida na cidade do Porto, em Portugal, por não suportar
mais conviver com uma neurastenia profunda.
* FBN© - 2013 – Henrique Dumont, o Barão do Café. – Cap. 05 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM
SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto -
Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.:
Imagens da Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/henrique-dumont-o-baro-do-caf.html
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