21.9.08

* 05/V - HENRIQUE DUMONT. O BARÃO DO CAFÉ.



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Maria-fumaça






Engenheiro graduado na França. Henrique Dumont escalou a subida da Serra da Mantiqueira para incrustar trilhos nas montanhas de Minas Gerais e abrir caminho para o ‘trem-de-ferro’ passar a caminho de Sabará. Mais tarde, obcecado pelo desenvolvimento do país, tornou-se agricultor na região de Ribeirão Preto, onde implantou uma das maiores fazendas de café das Américas, no século XIX .

           
        


        

           Henrique Dumont nasceu em Diamantina, província de Minas Gerais, em 20 de julho de 1832, filho do casal francês François Dumont e Eufrásia Honoré. Aos dezessete anos inicia seus estudos na École des Arts et Métiers de Paris. Forma-se em engenharia. De volta ao Brasil trabalha para Prefeitura de Ouro Preto, capital da província de Minas Gerais, quando conhece e casa com a jovem Francisca Santos, descendente de família nobre. O pai dela era o comendador Francisco de Paula Santos.

              Em 1872, ao assumir a construção do trecho da Estrada de Ferro Pedro II, ligando Barbacena a Sabará, muda-se para a sede da Fazenda do Engenho, onde nasce o filho Alberto. Pouco tempo depois, com o imóvel destruído por um incêndio, a família passa a viver numa casa no canteiro de obras da ferrovia, construída para ser a residência do mestre de linha, Faustino de Jesus.                   No mês de março de 1875, com o fim da construção da ferrovia, instala-se na Fazenda do Casal, comprada pelo sogro no município de Valença. Em 1879, falece o comendador. No mesmo ano, Henrique Dumont adquire a Fazenda Arindeúva, próxima a Ribeirão Preto, e muda-se com a família, oitenta escravos e 300 contos de reis para o Estado de São Paulo, estimulado a se dedicar ao cultivo de café.

     Troca o nome da propriedade para Fazenda Dumont e inicia o plantio de milhares de pés de café, espalhando na terra roxa os primeiros da espécie conhecida por Bourbon. Também começa a construir a nova sede, projetada à moda dos casarões coloniais de Diamantina com dois pavimentos, 16 janelas azuis abertas ao verde das colinas e coberta com telhas tipo canoa.

        Depois de pronta, o andar superior da habitação ficou com oito grandes quartos de dormir. Em baixo, a fim de tornar o serviço doméstico mais cômodo, a cozinha foi construída ligada às duas salas do casarão. A de refeição, composta por cristaleiras e uma mesa imensa de madeira rija e dez cadeiras com estofos de damasco verde, lembrava o esplendor de uma corte europeia.

             A sala de visitas, composta por um vasto canapé e quatro elevadas poltronas de couro, também todo o requinte europeu. Nas paredes haviam muitos quadros dependurados e, sobre a lareira, descansava um velho relógio alemão. No fundo ficava o piano de calda para solfejar notas musicais nos serões ocasionais que a família Dumont promovia entre amigos.

   Em dois compartimentos menores de portas para a varanda, Henrique reservou para instalar o serviço administrativo da Fazenda Dumont. Em um deles, montou seu gabinete particular com apenas um divã médio, três cadeiras, escrivaninha, chapeleiro e uma imponente estante de livros. De uma parede pendiam gravuras de Napoleão Bonaparte montado no seu cavalo Branco, brandindo o sabre. De outra, uma coleção fabulosa de armas antigas: garruchas, arcabuzes, sabres, clavinotes e revólveres dos Estados Unidos e da Europa, inclusive um punhal torto de Damasco, protegido pela bainha de couro bordada a fogo. Como em um reino particular, a casa foi toda mobiliada para decorar e conferir personalidade aos ambientes.

          Do lado de fora do casarão, dona Francisca cultivava um extenso jardim com grande variedade de flores, que arrancava a admiração de quem o visitava. O local também abrigava uma capela feita de pau a pique, tendo à sua frente, um chafariz de bronze forjado em Paris - mais uma lembrança do passado entre tantas coisas. Logo abaixo da sede, destacava uma vasta carreira de casas de alvenaria construídas para acomodar os serviçais da fazenda.

        Movido pelo rigor administrativo e capacidade para aceitar desafios, Henrique Dumont alforriou todos seus escravos bem antes da Lei Áurea. Para capacitar seus trabalhadores, ele montou um centro de habilitação de obreiro na propriedade, pensando em melhorar o desempenho dos trabalhadores contratados. Dentre eles, negros foros, quilombolas e imigrantes que chegavam para atuar nos cafezais brasileiros.

         Como resultado, em pouco mais de dez anos, o engenheiro colocou a Fazenda Dumont entre as mais produtivas da América do Sul, explorando cerca de cinco milhões de pés de café numa produção destinada à exportação. A lavoura rendia tanto que, para transportar os grãos até o Porto de Santos, mantinha uma estrutura viária com sete locomotivas para puxar dezenas de vagões nos 96 quilômetros de estrada de ferro, dentro da propriedade, que se ligava aos trilhos da Ferrovia Alta Mogiana.

     Vendida aos ingleses em 1890, marcou uma das maiores operações empresariais realizadas no Brasil. Meio século depois, em 1942, surgiu no lugar o povoado de Dumont como distrito de Ribeirão Preto. Em 1964, emancipado como município.

 

* Em 30 de agosto de 1892, com 60 anos de idade o engenheiro Henrique Dumont faleceu na cidade do Rio de Janeiro. Em 1902, aos 67 anos, dona Francisca Santos Dumont põe termos à própria vida na cidade do Porto, em Portugal, por não suportar mais conviver com uma neurastenia profunda.

 



* FBN© - 2013 – Henrique Dumont, o Barão do Café.  – Cap. 05 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/henrique-dumont-o-baro-do-caf.html

 

 

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