21.9.08

* 01/I - A INFÂNCIA DE ALBERTO.

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... Assim começa a história do inventor Alberto Santos-Dumont.
Observado de perto pelos pais, o pequeno Alberto, desde cedo, revelou-se um
menino de espírito inquieto, investigativo, extremamente precoce que raciocinava
 mais do que sentia as coisas em seu redor.


 

 


ALBERTO SANTOS-DUMONT nasceu em 20 de julho de 1873, na Fazenda do Engenho, próxima ao túnel 27, na região de Cabangu, distrito de João Aires, então município de Palmyra, em Minas Gerais.

Sexto filho do engenheiro Henrique Dumont e dona Francisca de Paula Santos Dumont, o inventor teve sete irmãos mais velhos: Henrique, Maria Rosalina, Virgínia, Luis e Gabriela. Depois dele: Sophie e Francisca.

Em 1874, terminada a Estrada de Ferro Pedro II, a família Dumont passa a morar na Fazenda do Casal, município de Valença, no sul fluminense. Daí para a região de Ribeirão Preto, interior da província de São Paulo, onde Henrique Dumont comprou uma fazenda, atraído pelo admirável ciclo do café.

A constante troca de endereços não afetou a vida de Alberto. Criança alegre e curiosa cresceu brincando com os irmãos, com os filhos dos escravos ou dos colonos pelos arredores da sede. Como também nunca deixou de visitar a biblioteca do pai, onde se refugiava sempre para ler os livros do engenheiro Henrique Dumont.

Outro entretenimento de Alberto era observar a revoada dos pássaros, principalmente, o voo dos urubus, lá no alto, planando por um longo tempo no ar. Admirava também ver a agilidade de um bando de pombos atravessando o extenso terreiro da fazenda, que logo tornava a passar na mesma velocidade.

Alberto gostava de desenhar. Vez ou outra se distraia reproduzindo casas, pássaros, nuvens, sóis, luas e balões voando em festas juninas – temas comuns aos meninos de sua idade que enchiam seus cadernos escolares com rabiscos ilustrativos. Desenhava tão bem que suas irmãs viviam encomendando-lhe esboços de bonecas, que elas confeccionavam de pano ou palha de milho.

A evolução dos pequenos balões de papel de seda e das pipas, lançados ao céu, nos folguedos populares seduzia o espírito observador de Alberto. Tanto que aprendeu a fazer os objetos para realizar a brincadeira com seus amigos no pátio da fazenda.

Certo dia, com pouco mais de nove anos de idade, após a mucama Minalva retirar o jantar, Alberto espanta a todos com uma pergunta:

- Papai, por que o homem não tem asas que nem os pássaros?

Henrique Dumont surpreso com a curiosidade de Alberto tenta explicar:

- Meu filho, o homem não tem asas, mas tem o dom da inteligência. Queria mais?

- Sim. Gostaria de voar como os pássaros.

- Quem sabe, usando a inteligência, um dia o homem poderá voar através de uma máquina qualquer, não é mesmo?

Alberto balança a cabeça, observando em tom curioso:

- Não seria bem melhor se a gente pudesse voar?

- Ora, Alberto. Deus quando criou o mundo não pensou assim. Caso contrário teria feito o ser humano com asas, não é mesmo? Mas, posso garantir que, para os pássaros, o poder de voar foi muito bom e para nós também.

- Sim. Mas...

- O mais importante, Betinho, é que nesse voo a fauna alada presta um grande serviço à natureza e ao ser humano.

Dito isso, Henrique volta os olhos em direção aos outros filhos e brinca:

- Ganha um doce quem dizer como os passarinhos beneficiam a natureza!

Rosalina levanta um braço, todo serelepe:

- Eu sei. Eu sei.

- Sabe. Então fala para seus irmãos.

- Eles comem as frutinhas e saem por aí espalhando suas sementes.

- Isso mesmo! - aplaude a mãe, toda orgulhosa, sentada na outra ponta da mesa.

Alberto franze a testa.

- Não entendi nada.

- Pelo coco, seu bobo! – adianta o irmão mais velho, com ar de sabichão.

Todos riram. Alberto cora, meio confuso:

- O quê? Pelo quê?

- Isso mesmo, seu irmão está certo – confirma o pai.  - Os pássaros são carregadores de sementes para vários locais. Pela borrinha deles que muitas árvores são espalhadas no solo. Se não fossem os pássaros, cumprindo esse importante papel ecológico, quem semearia plantas para formar e restaurar as tantas florestas no Brasil?

- Gente, o pai tem razão – confirma Rosalina.

- Assim mesmo que uma floresta vive cheia de variedade de plantas – confirma o pai. - Das alturas os pássaros, como semeadores naturais, garantem um mundo verde que tanto precisamos para viver aqui embaixo. Não é legal?

Dona Francisca levanta o braço e pergunta:

- Alguém pode me dizer que outro pássaro trabalha muito para a preservação das plantas?

Rosalina adianta:

- Os beija-flores.

- Parabéns, filha. Não comem semente, mas são eles os maiores polinizadores das matas – abona a mãe.

Alberto ainda insiste:

- Tudo bem, papai. Ainda acho que alguém deveria inventar uma máquina voadora e nela sair voando, que nem nos tapetes mágicos que vejo nos seus livros, ou, nas vassouras das bruxas.

Henrique Dumont coça a cabeça, sorrindo:

- Pensando bem, você tem razão. Ficaria tudo mais fácil, não é? Sair por aí voando ia encurtar muito as distâncias entre os lugares. Que bom, hein! Meu filho, voar sempre foi o sonho do homem. Ícaro até colou penas no corpo com cera e tentou voar. Agora, inventar uma máquina para voar! Sei não... Mas quem diria que o homem inventaria um meio de transporte tão rápido como o trem de ferro, não é mesmo?

Todos balançaram a cabeça, concordando. Alberto logo quis saber:

- Ícaro? Quem foi?

Henrique Dumont pisca o olho direito para dona Francisca, insinuando:

- Sua mãe pode falar melhor do que eu, ela tem mais jeito para contar histórias.

 - Eu, Henrique! Ah, nem sei se ainda me lembro dessa lenda.

A mãe hesita, mas veio o coro:

- Conta! Conta! Conta!

- Ora, Chica, conta à sua moda– atalha Henrique. - Revelar aos filhos curiosos as velhas histórias da civilização é um dever dos pais.

- Está bem! Está bem. Antes, vamos selar um compromisso. Ao terminar de dizer a fábula, cada um chispa para sua cama. Prometem?

Os filhos concordam. Em silêncio, aguardando pelo início da lenda, os meninos fixam o olhar na mãe, paciente e terna, com um leve sorriso estampado no rosto.

 

* FBN© - 2013 – A Infância de Alberto – Cap. 01 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/infncia-e-adolescncia-de-alberto.html

 

 

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