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Aviões na Primeira Guerra Mundial
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Aviões na Primeira Guerra Mundial
Movido pelo desejo de aproximar as pessoas inventei o avião,
imaginando que poderia ajudar a construir um mundo melhor para todos. Mas, ao vê-lo sendo usada na guerra como poderosa e devastadora arma para matar seres humanos fico muito triste. É lastimável!... Os aviões, usados dessa forma, podem até trazer a vitória e poder para uns, mas não a paz para todos.
A partir da
produção em massa a partir do seu Demoiselle, e animado com o leque de
possibilidades que uma aeronave abriria ao mundo, Alberto Santos-Dumont chegou
a declarar que o aparelho teria bom desempenho para uso militar, principalmente
em defesa marítima.
- Nada impede, enfim a aeronave de destruir um submarino, dirigindo-lhe
longos projéteis carregados com dinamite e capazes de penetrarem na água à
profundidade que a artilharia não pode atingir de bordo dum couraçado.
Em 02 de janeiro de 1914, ao
desembarcar no Brasil, Santos-Dumont chama a atenção do governo brasileiro pela
falta de interesse em adotar a aviação como órgão de Estado, revitalizando o
conceito de modernidade na defesa e segurança de nosso patrimônio. Após redigir
duas correspondências ao Presidente da República Wenceslau Brás Pereira Gomes,
revela aos jornais:
- Aproveito a ocasião para fazer um apelo aos senhores dirigentes e
representantes da nação brasileira para que deem asas ao Exército e à Marinha
Nacional. Hoje, quando a aviação é reconhecida como uma das armas principais de
guerra; quando cada nação europeia possui dezenas de milhares de aparelhos;
quando o Congresso Americano acaba de ordenar a construção de 22 mil destas
máquinas e já está elaborando uma lei ordenando a construção de uma nova série,
ainda maior; quando a Argentina e o Chile possuem uma esplêndida frota aérea de
guerra, nós, aqui, não encaramos ainda esse problema com a atenção que ele
merece. Num pais com dimensões continentais como o Brasil a defesa aérea é
mais do que uma necessidade, é um dever patriótico.
Enquanto isso, nos Estados Unidos da
América, o presidente Woodrow Wilson aplaudia o desempenho do avião na Primeira
Guerra Mundial, a Guerra das Guerras que começou em 28 de julho de 1914 e durou
até 11 de novembro de 1918.
- O
aeroplano prova a sua importância soberana numa guerra. De seu bordo podemos
localizar as trincheiras inimigas, analisar os seus movimentos, a circulação de
tropas e, também, por meio de telegrafia sem fios ou de sinais, dirigir o fogo
das forças, atacar as trincheiras e baterias inimigas. A aviação é hoje a mais
eficaz arma de guerra, tanto na ofensiva como na defensiva. Tudo isso, graças à
evolução técnica dos aeroplanos. Quem, há cinco anos, acreditaria na utilização
deles num conflito entre países, lançando projéteis de canhões com efeitos
devastadores?
Mais tarde, ao perceber o estrago
que um avião fazia em um campo de batalha, Alberto Santos-Dumont, muda de
opinião e passa a condenar o emprego do aeroplano em combates, dando o inicio à
militância contra as guerras.
- A luta marcial é a legitimidade do mau, mata seres humanos, destrói
cidades inteiras e só tem um objetivo: conquistar poderes. A humanidade sofre
com essa incoerência – assegura às nações o cientista.
Diante desses reflexos angustiantes e
desconsolados acerca do destino do homem contemporâneo, sufocado pela Primeira Guerra Mundial, Santos-Dumont busca refúgio em Troville, no Sul da França para
fugir dos bombardeios em Paris Ao descer na estação ferroviária, confundido com
um agente de espionagem alemã, é preso e submetido a interrogatórios por um dia
inteiro.
Inconformado
com o imprevisto, o cientista retorna à capital francesa decidido rasgar,
queimar e inutilizar inúmeros projetos aeronáuticos, entre eles os estudos de
um helicóptero com dois rotores, do avião bimotor com asa em delta e do
ornitóptero - aparelho para voo individual. A partir daí, Santos-Dumont assume
uma campanha antibélica a favor da pacificação mundial.
Entre 1914 e 1915 o brasileiro viaja por países europeus
e americanos, divulgando as impressões e riscos de um aviador, principalmente
em campo de batalha. Em Washington, como palestrante principal, abre o Segundo
Congresso Científico Pan-americano no dia 28 de dezembro de 1915, onde defende
o aeroplano como facilitador das relações entre as Américas. A repercussão de
sua conferência foi tão grande que o Aeroclube da América do Norte convidou o
brasileiro para representá-lo no Congresso Pan-americano de Aeronáutica, a ser
realizado no ano seguinte, em Santiago do Chile.
A partir do fim da guerra Santos-Dumont tornou-se nome conhecido
e um pensador discutido em toda parte que fazia questão de mostrar ao muno que
os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial abalaram todo o planeta de forma
irreversível. Ao desembarcar no Brasil, questionado pela reportisa Eugênia
Brandão, da revista Careta, se estava arrependido de ter inventado o avião, ele
responde:
- Não, lógico que não. Inventei o
avião para promover a paz entre as Nações, portanto, repudio seu uso de forma
tão destruidora. Deplorável! O avião que salva vidas, lamentavelmente é o mesmo
avião usado para matar seres humanos.
Depois de um pequeno silêncio,
enfatiza:
- Eu utilizo uma faca para cortar um queijo gruyère. Mas ela também pode
ser usada para apunhalar alguém, não é mesmo? Fui tolo em ter pensado só no
queijo. Infelizmente, não tenho controle sobre tudo. E pior que o resto,
porque eu me sinto responsável e cúmplice.
Na sua luta para difundir a paz entre os povos, em 14 de janeiro
de 1916, Santos-Dumont redige uma carta ao embaixador do Brasil na Sociedade
das Nações Unidas, Afrânio de Melo Franco, e oferece um prêmio de 10.000
francos para premiar, através de um concurso literário, à melhor obra escrita
sobre a proibição dos veículos aéreos como arma de combate bélico.
E, no dia 24 de abril, o cientista chega a Foz do Iguaçu, no
Paraná, vindo de Buenos Aires pelo Rio Paraná. No mesmo dia, a cavalo, visita
as cataratas, a maior sequencia de queda d’água do mundo. Depois desse contato
com a fecunda natureza paranaense, sugere à presidência da república a criação
do Parque Florestal do Iguaçu, prontamente, atendido pelos nossos governantes.
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FBN© - 2013 - Avião.
Uso Militar e a Guerra – Cap. 30, de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE
UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto -
Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.:
Imagens da Internet. Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/avio-o-uso-militar-e-guerra.html
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