21.9.08

30/XXX - AVIÃO. USO MILITAR E A GUERRA.

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Aviões na Primeira Guerra Mundial

 


Movido pelo desejo de aproximar as pessoas inventei o avião,

imaginando que poderia ajudar a construir um mundo melhor para todos. Mas, ao vê-lo sendo usada na guerra como poderosa e devastadora arma para matar seres humanos fico muito triste. É lastimável!...  Os aviões, usados dessa forma, podem até trazer a vitória e poder para uns, mas não a paz para todos.


 




       
A partir da produção em massa a partir do seu Demoiselle, e animado com o leque de possibilidades que uma aeronave abriria ao mundo, Alberto Santos-Dumont chegou a declarar que o aparelho teria bom desempenho para uso militar, principalmente em defesa marítima.

            - Nada impede, enfim a aeronave de destruir um submarino, dirigindo-lhe longos projéteis carregados com dinamite e capazes de penetrarem na água à profundidade que a artilharia não pode atingir de bordo dum couraçado.

            Em 02 de janeiro de 1914, ao desembarcar no Brasil, Santos-Dumont chama a atenção do governo brasileiro pela falta de interesse em adotar a aviação como órgão de Estado, revitalizando o conceito de modernidade na defesa e segurança de nosso patrimônio. Após redigir duas correspondências ao Presidente da República Wenceslau Brás Pereira Gomes, revela aos jornais:

            - Aproveito a ocasião para fazer um apelo aos senhores dirigentes e representantes da nação brasileira para que deem asas ao Exército e à Marinha Nacional. Hoje, quando a aviação é reconhecida como uma das armas principais de guerra; quando cada nação europeia possui dezenas de milhares de aparelhos; quando o Congresso Americano acaba de ordenar a construção de 22 mil destas máquinas e já está elaborando uma lei ordenando a construção de uma nova série, ainda maior; quando a Argentina e o Chile possuem uma esplêndida frota aérea de guerra, nós, aqui, não encaramos ainda esse problema com a atenção que ele merece. Num pais com dimensões continentais como o Brasil a defesa aérea é mais do que uma necessidade, é um dever patriótico.

            Enquanto isso, nos Estados Unidos da América, o presidente Woodrow Wilson aplaudia o desempenho do avião na Primeira Guerra Mundial, a Guerra das Guerras que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918.

             - O aeroplano prova a sua importância soberana numa guerra. De seu bordo podemos localizar as trincheiras inimigas, analisar os seus movimentos, a circulação de tropas e, também, por meio de telegrafia sem fios ou de sinais, dirigir o fogo das forças, atacar as trincheiras e baterias inimigas. A aviação é hoje a mais eficaz arma de guerra, tanto na ofensiva como na defensiva. Tudo isso, graças à evolução técnica dos aeroplanos. Quem, há cinco anos, acreditaria na utilização deles num conflito entre países, lançando projéteis de canhões com efeitos devastadores?

            Mais tarde, ao perceber o estrago que um avião fazia em um campo de batalha, Alberto Santos-Dumont, muda de opinião e passa a condenar o emprego do aeroplano em combates, dando o inicio à militância contra as guerras.

            - A luta marcial é a legitimidade do mau, mata seres humanos, destrói cidades inteiras e só tem um objetivo: conquistar poderes. A humanidade sofre com essa incoerência – assegura às nações o cientista.

            Diante desses reflexos angustiantes e desconsolados acerca do destino do homem contemporâneo, sufocado pela Primeira Guerra Mundial, Santos-Dumont busca refúgio em Troville, no Sul da França para fugir dos bombardeios em Paris Ao descer na estação ferroviária, confundido com um agente de espionagem alemã, é preso e submetido a interrogatórios por um dia inteiro.

            Inconformado com o imprevisto, o cientista retorna à capital francesa decidido rasgar, queimar e inutilizar inúmeros projetos aeronáuticos, entre eles os estudos de um helicóptero com dois rotores, do avião bimotor com asa em delta e do ornitóptero - aparelho para voo individual. A partir daí, Santos-Dumont assume uma campanha antibélica a favor da pacificação mundial.


Entre 1914 e 1915 o brasileiro viaja por países europeus e americanos, divulgando as impressões e riscos de um aviador, principalmente em campo de batalha. Em Washington, como palestrante principal, abre o Segundo Congresso Científico Pan-americano no dia 28 de dezembro de 1915, onde defende o aeroplano como facilitador das relações entre as Américas. A repercussão de sua conferência foi tão grande que o Aeroclube da América do Norte convidou o brasileiro para representá-lo no Congresso Pan-americano de Aeronáutica, a ser realizado no ano seguinte, em Santiago do Chile.

A partir do fim da guerra Santos-Dumont tornou-se nome conhecido e um pensador discutido em toda parte que fazia questão de mostrar ao muno que os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial abalaram todo o planeta de forma irreversível. Ao desembarcar no Brasil, questionado pela reportisa Eugênia Brandão, da revista Careta, se estava arrependido de ter inventado o avião, ele responde:

            - Não, lógico que não. Inventei o avião para promover a paz entre as Nações, portanto, repudio seu uso de forma tão destruidora. Deplorável! O avião que salva vidas, lamentavelmente é o mesmo avião usado para matar seres humanos.

            Depois de um pequeno silêncio, enfatiza:

            - Eu utilizo uma faca para cortar um queijo gruyère. Mas ela também pode ser usada para apunhalar alguém, não é mesmo? Fui tolo em ter pensado só no queijo. Infelizmente, não tenho controle sobre tudo. E pior que o resto, porque eu me sinto responsável e cúmplice.

Na sua luta para difundir a paz entre os povos, em 14 de janeiro de 1916, Santos-Dumont redige uma carta ao embaixador do Brasil na Sociedade das Nações Unidas, Afrânio de Melo Franco, e oferece um prêmio de 10.000 francos para premiar, através de um concurso literário, à melhor obra escrita sobre a proibição dos veículos aéreos como arma de combate bélico.

E, no dia 24 de abril, o cientista chega a Foz do Iguaçu, no Paraná, vindo de Buenos Aires pelo Rio Paraná. No mesmo dia, a cavalo, visita as cataratas, a maior sequencia de queda d’água do mundo. Depois desse contato com a fecunda natureza paranaense, sugere à presidência da república a criação do Parque Florestal do Iguaçu, prontamente, atendido pelos nossos governantes.

 

 

 

 

* FBN© - 2013 -  Avião. Uso Militar e a Guerra – Cap. 30, de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet. Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/avio-o-uso-militar-e-guerra.html

 

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