21.9.08

* 12/XII - DIRIGÍVEIS. A JORNADA RUMO AO CONTROLE DOS BALÕES NO AR.



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Expo Univeselle de Paris, 1900


Rue des Nations - Rèalisation: Fréres Lumierre - YouTube

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... Graças ao gênio criativo, aos profundos conhecimentos sobre mecânica, a ousadia, a convicção e a intuição especial para solucionar problemas aeronáuticos, Alberto Santos-Dumont encontrou no motor a petróleo a saída para todos os problemas da aerostação dirigida. A partir daí, começou a construir balões, não mais flutuantes como bolhas de ar à mercê dos ventos, mas guiados de acordo com o interesse do piloto.
 



 Depois do sucesso do Balão Brasil, determinado como Leonardo da Vinci, Milton ou Arquimedes, Alberto Santos-Dumont passou a dedicar seus dias, horas e minutos para perseguir um único objetivo: a dirigibilidade dos balões. O otimismo era tamanho que, de sua mesa de trabalho, surgiram estudos de vários modelos planejados com hélice adaptada a um motor abastecido por petróleo.

Para verificar o desempenho de um motor no espaço aéreo, o cientista dependurava um triciclo num galho horizontal de uma grande árvore e observava a máquina funcionar por um longo tempo de exaustivo teste.

Dos motores avaliados, concluiu que o Dion Bouton de 3.5hp era o melhor, afirmando: ... É difícil explicar o meu contentamento ao verificar que, ao contrário do que se dava em terra, o motor do meu triciclo, suspenso, vibrava tão agradavelmente que parecia parado... Corri à casa, iniciei os cálculos e os desenhos do meu balão número um, acelerando a adaptação dele ao seu novo projeto de balão.

No dia 18 de setembro de 1898, Santos-Dumont apresenta seu primeiro dirigível: o SD-1. Balão de forma cilíndrica com 25 metros de comprimento, 3,5 de diâmetro e 186 metros cúbicos de hidrogênio. Equipado com nacela, leme e hélice com pá de duas pontas torcidas.

Assistido por técnicos do Aeroclube da França e uma multidão de curiosos, Santos-Dumont decola com o SD-1 do Jardim da Aclimação. Comanda a aeronave por mais de 30 minutos no ar, fazendo voltas para um e outro lado, contra ou a favor do vento. Mas, ao atingir 400 metros de altura, o hidrogênio contraiu-se, o balão dobrou-se e caiu sobre as frondosas árvores no Bois-de-Boulogne.

No meio de uma aglomeração de gente pesarosa, desapontado Santos-Dumont reconhece:

- Por pouco não me espatifei também. Graças a Deus isso não ocorreu. Contudo, grande foi a surpresa, a alegria e a embriaguez de ter navegado no ar e sentir o vento soprar no meu rosto. A aerostação esférica marcha-se com o vento. Quando muito, nota-se o roçagar da atmosfera, nas subidas e descidas. Fantástico!... Faboloso!...

Um repórter pergunta:

- Senhor não teme o perigo?

- No ar não há tempo para ter medo. Ao iniciar as experiências com os dirigíveis entrei numa fase de riscos constantes de acidentes. Mesmo assim, nada me impede de prosseguir minhas pesquisas e voar com absoluta autonomia.

- Não tem medo de um acidente fatal?

- Arrisco tudo consciente de que qualquer voo pode virar uma cilada, apesar do atrevimento controlado e muita gente a rezar por mim. Ousadia?! É sim. Mas não vou desistir. Posso garantir que, para um homem obstinado como eu, todo fracasso é um convite a novas tentativas. Melhor dizendo: o infortúnio será sempre um incentivo para que eu possa evoluir na segurança do voo. Como tudo na vida tem pelos menos dois lados, pode ser que seja feliz na próxima tentativa. Um guerreiro nunca se dá por derrotado, luta até o fim, não é mesmo?

Dias depois, após conquistar o terceiro lugar na corrida de automóveis Nice-La Turbine, em 24 de março de 1899, Santos-Dumont conserta as avarias no SD-1 e torna a fazer com ele evoluções nos céus de Paris, comandando a aeronave em diferentes trajetos. Um dia, ao aterrar, revela à imprensa:

- Sob a ação combinada do propulsor que lhe imprimia movimento do leme, que lhe permitia a direção, do guide-rope que eu deslocava, e dos dois sacos de lastro que eu fazia deslizar conforme a minha fantasia, ora para diante, ora para trás, logrei a satisfação de evoluir em todos os sentidos, da direita para a esquerda, de cima para baixo e de baixo para cima. Trata-se de uma experiência pioneira, era a primeira vez que um motor roncava nos ares.

E ressalta com um sorriso:

- Só provamos se a teoria é boa, servindo da mesma para ultrapassá-la, certo?

Meses mais tarde conclui o Balão América, o SD-2, tecnologicamente, mais avançado e resistente. No dia 11 de maio de 1899, ao fazer o voo inaugural no Jardim da Aclimação, foi surpreendido por uma inesperada rajada de vento que danificou e frustrou a ascensão da aeronave. Em terra o piloto esclarece aos jornalistas:

- Para o balonista o maior risco é o vento. Você pode treinar e simular tudo, mas o impacto do vento a gente só experimenta lá em cima. Custe o que custar, farei de mais esse fracasso estímulo para que ir em frente.

Sem perder o humor, Alberto filosofa:

- A vida também é feita de prejuízos. Tudo bem. Como todo erro mecânico exige reflexão e reparo, posso dizer que uma falha dessa natureza me excita a prosseguir firmemente no requinte do meu balão dirigível.

Os acidentes não perturbavam a trajetória do Alberto Santos-Dumont. Pelo contrário, animavam o inventor a continuar trabalhando seus ambiciosos projetos. Certo do que queria, empregava somas fabulosas de dinheiro no empreendimento balonístico, sem procurar auxílio de empresas, amigos ou de governos.

No dia 13 de novembro de 1899, com o SD-3, utilizando gás comum de iluminação, Santos-Dumont parte do Parque de Vaugirard numa velocidade de 25km/h, contorna a Torre Eiffel e pousa no Parque dos Príncipes. Sem dúvida, aos olhos da ciência, o inventor brasileiro marcava com aplausos um novo ‘tempo tecnológico’ para o desenvolvimento da navegação aérea. 

Dias mais tarde, certo da necessidade de ter um local exclusivo para decolar e posar com seus balões, Alberto Santos-Dumont compra uma enorme área em Saint-Cloud, subúrbio a oeste de Paris, ainda intacto ao avanço das fábricas. No terreno constrói vários hangares, justificando:

- Reconheci que ia, para toda minha vida, dedicar-me à construção de aeronaves. Precisava ter minha garagem aeronáutica, meu aparelho gerador de hidrogênio e um encanamento, que comunicasse minha instalação com os condutos do gás de iluminação. Além do mais, uma prancheta bem equipada para trabalhar uma vocação artística que me garanta sucesso na feitura de meus croquis aeronáuticos. Em Saint-Cloud eu encontrei o refúgio de uma paz pastoril, necessária aos meus momentos de criação.

            O gênio criativo de Santos-Dumont, mais uma vez, surpreendia a cidade de Paris ao se estabelecer numa área de trabalho bem equipada. Inovação que logo se perpetuou como o primeiro aeroporto do mundo. Ao inaugurar a plataforma, confessa:


- Tal qual se acha instalada, esta primeira estação de aeronaves do futuro pode alojar sete aparelhos cheios, em estado de largarem ao primeiro sinal. Esforcei-me para que ela correspondesse a todas as necessidades. Isso é apenas uma pequena versão do será um aeroporto no futuro próximo.

Depois de uma pausa, finaliza emocionado:

- Imerso de entusiasmo, encontrei em Saint-Cloud um Oasis, onde posso trabalhar sob a luz de um bairro que nele meus sonhos vêm tomando corpo. Tudo na região me agrada e será bastante útil.

Da nova oficina, em primeiro de agosto de 1900, saiu o SD-4, um balão fusiforme de 28,60 metros de eixo, invólucro de seda japonesa e capacidade para 420 metros cúbicos de ar. Aeronave equipada de um motor Buchet, de 2 cilindros e nove cavalos de força, leme hexagonal de sete metros, hélice de quatro metros de diâmetro e um selim de bicicleta para, sentado, comandar as cordas de manobra.

Surpreso com o bom desempenho do SD-4, em 19 de setembro de 1900, Santos-Dumont faz apresentação da sua aeronave aos membros do Congresso de Aeronáutica Internacional, que estava sendo realizado em Paris. Evento que também contou com a presença dos amigos Gustave Eiffel, Frères Lumierre e Louis Cartier. Ao aterrar, aclamado por todos, recebeu a aprovação do célebre Professor Langley:

- Bravo, senhor Alberto Santos-Dumont! Pela sabedoria magistral de Vossa Senhoria vejo que está solucionado o problema da dirigibilidade de balões no ar. Ao ver sua demonstração com o SD-4, posso afirmar que ganha força em Paris uma forma eficaz de pensar as questões da ciência e do progresso tecnológico que vão garantir o futuro da navegação aérea.

A título de reconhecimento e estímulo, em primeiro de janeiro de 1901, a Comissão Científica do Aeroclube de Paris concedeu a Santos-Dumont o Prêmio de Encorajamento, no valor de 4.000 mil francos por ter sido o aeronauta que mais se destacou naquele ano – a quantia referia a juros do Prêmio Deutsche, lançado no ano anterior e não disputado.

Em menos de uma década, Santos-Dumont construiu, testou e voou em diversos balões. Produção admirada por todos os balonistas da época, já que ele projetava, participava da montagem e pilotava.

Tão surpreendente que o aviador francês Gabriel Voisin (1880-1973), declarou à imprensa que nenhum dos inventores parisienses tinha conhecimento como Santos-Dumont. O inventor brasileiro tem cabedal para produzir aeronaves rápidas com qualidade estética superior aos modelos dos outros aeronautas franceses. Enfim, suas aeronaves produziram resultados surpreendentes, tão surpreendes que abriram caminhos para facilitar o desenvolvimento da dirigibilidade de um balão no ar.

 

 

 

* FBN© - 2013 – Dirigíveis. A Jornada Rumo ao Controle dos Balões no Ar – Cap. 12 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/dirigveis-jornada-rumo-ao-controle-dos.html 


 

               

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