21.9.08

* 06/VI - VISIONÁRIO. CIENTISTA. ARTISTA. UM BRASILEIRO INOVADOR EM PARIS.

*
Paris. Bela época.



Seduzido pelo esplendor da capital francesa, com suas oportunidades infinitas, em maio de 1892,
Alberto Santos Dumont muda de vez para Paris.








Alberto tenta, mas não consegue que o pai prosseguisse a viagem de Portugal a Paris. Tomado por uma forte angustia e incertezas, Henrique Dumont preferiu tratar de sua doença no Brasil. Ainda no cais do Porto de Lisboa, antes do embarque de volta, o engenheiro enaltece a decisão do filho:

 

- Sinto que meu Alberto vai a Paris em busca de uma carreira sólida e próspera, como se chamado a cumprir o que decide a sabedoria divina. Na França, quem tem inteligência, astúcia e ciência do que realmente quer, costuma chegar ao patamar mais elevado da vida. Parabéns, Alberto!

 

- Obrigado, pai.

 

- Paris tem fama de saber recompensar jovens arguciosos e afoitos que buscam na cidade crescimento intelectual e científico. Sempre foi assim. Sempre. Conheço a cidade como a palma de minha mão.

 

- Sim.

 

Pausa. Henrique com um sorriso largo brinca:

 

- Olha aqui, mocinho! Meu coração está dizendo que, no futuro, será uma figura muito importante, denominando ruas e praças espalhadas ao redor do mundo. 

Risos. Alberto:

 

- Ô, pai!

 

- Mas não se iluda. Paris é também um lugar arriscado para um rapaz da sua idade. Com aquele ‘oba-oba’ todo, pode nos causar a confusão visual de um mundo em que nada é o que parece ser. Sem juízo, as melhores almas acabam se perdendo. Todo cuidado é pouco, viu?

 

- Preocupe não, pai.

 

- Paris era uma cidade estimulante, embora a vida noturna pode ser uma armadilha para os jovens. Esconde perigosas ciladas, viu meu filho?

 

- Eu sei.

 

- Deve fazer de tudo para não ser atraído pelos eventos e passatempos da classe ociosa que vive por lá. Evite as más companhias, evite os descaminhos, não seja fanfarrão. Dos fumeries, por exemplo, passe léguas deles. São lugares de dependentes químicos que se tornaram um perigo público para a sociedade.

 

              - Nada disso me atrai, bem sabe o senhor.

 

- Ainda bem.

 

- Instruiu-me o livro Paraísos Artificiais que me presenteou no último aniversário. Lembra?

 

- Claro. A intenção foi de sensibilizá-lo para um perigo sem fim no mundo moderno. Charles Baudelaire toca o dedo na ferida ao descrever os efeitos dessas ervas que criam a falsa felicidade nos indivíduos. Recorde sempre disso, certo?

 

- Inquiete não, pai. Mudo para Paris por uma causa nobre, não para virar um flâneur perambulante. Fique tranquilo, dou-lhe minha palavra. Fique tranquilo.

 

- Desculpe seu velho pai pelo excesso de preocupações. No mundo de hoje a gente vive com o coração aos pulos, não tem outro jeito.

 

Alberto ri, dizendo:

 

- Pai zeloso!

 

- Por enquanto, fique no apartamento da Champs-Élysée. O aluguel está pago até o fim do ano. Mande notícias. A comunicação conforta e deixa o pai com a alma mais sossegada.

 

- Certamente.

 

Meio desolado, Henrique Dumont, fecha o sorriso:

 

- Meu filho, percebo que pouca saúde me resta para viver.

 

- Fique sossegado, meu velho. Ainda goza de muita saúde.

 

- Não sei. Estou chegando ao fim. Mas antes quero vê-lo triunfar na vida, viu?

 

- Claro, claro. Olha aqui: quando chegar ao Brasil passe um período de tratamento nas casas de banho de Araxá. As termas de lá são famosas pelo grande poder medicinal, principalmente, o barro que é conhecido como o ouro pastoso das Minas Gerais.

 

- Vou pensar.

 

- Falo sério.

 

Risos. Henrique depois de uma pausa:

 

- Prometo pensar, prometo fazer o maior esforço para atender seu pedido.

 

- Vou cobrar.

 

- Sabe de uma coisa, Betinho?

 

- Não.

 

- Você foi o presente de aniversário mais significativo que ganhei na vida. Presente da sua mãe quando fiz 41 anos de idade.

 

- Feliz coincidência. Muito me honra fazer aniversario no mesmo dia do senhor. Talvez, seja por isso tanta cumplicidade entre nós, não é mesmo?

 

- Pode ser. Pode ser. Lembro como se fosse hoje daquela noite de inverno em que você nasceu. Um vento gelado, mostrando a fúria selvagem da natureza, começou a soprar, exatamente, quando a parteira preparava sua mãe para dar à luz de mais um rebento. Santo Deus! Você nem pode imaginar a correria para vedar com panos as janelas e portas da nossa casa! Naquela hora até pensei que era um bom prenúncio: a criança que estava para nascer teria um futuro cheio de acontecimentos grandiosos. Seria alguém na vida.

 

- Bom ouvir isso, pai.

 

Alberto emocionado abraça o pai com ternura. De repente um apito soa, alertando todos os passageiros para ocuparem seus lugares na embarcação. Imediatamente, com a pressa exagerada dos viajantes, o local se torna um Deus nos acuda. Henrique Dumont apruma o corpo, desvia o olhar em direção ao navio e fala em tom mais elevado:

 

- Ouçam. Ouçam. O apito chama os passageiros para o embarque. Chegou a hora de zarpar, vamos. Meu filho, fica com Deus! Que ele abençoe a todos nós.

 

Virando-se para a esposa:

 

- Francisca! Francisca! Está na hora, temos que subir ao convés. Meu Deus! Ai, meu estômago está embrulhando de novo. Arre! Deve ser o vinho.

 

- Não é nada, paizão. Isso acontece em momentos de grande tensão, afobação. Mantenha-se calmo que eu ajudo com as bagagens.

 

- Não precisa, deixe por conta dos carregadores. Betinho, meu filho, no que depender de mim terá tudo para tocar seus sonhos adiante.

 

- Agradeço, pai.

 

Alberto ao beijar as faces dos pais não segura as lágrimas. Comovido diz:

 

- Muito, muito, muito obrigado! Minha chance, papai. Minha chance, mamãe! Rezem por mim. Em breve, darei notícias.

 

Dona Francisca, procurando alento para tanta tristeza, abraça o filho outra vez, recomendando:

 

- Só uma coisinha a mais, Betinho. Uma coisinha... Sei que é um jovem com tantas coisas na mente, tão cheio de opiniões que, isso tudo, me faz preocupar com o seu bem estar. Não deixe que seus próprios pensamentos lhe cansem, ouviu? Não quero ver meu filho esgotado, viu?

 

- Seguirei seus conselhos, mamãe.

 

- Nossa Senhora da Aparecida e seu anjinho da guarda estarão sempre do seu lado. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo eu o abençoo hoje e sempre, filho querido. Amém.

 

- Amém – repete Alberto.

 

Ao pé da escada de acesso ao navio, Henrique Dumont torna a abraçar o filho. A voz trêmula tece-lhe mais conselhos. A mãe, outros tantos. Mais choro. Depois, ainda com os olhos encharcados de lágrimas, ela passa o braço em volta da cintura do filho e abre um sorriso consolador:

 

            - Meu Betinho já é um homem feito, vai saber se cuidar, não vai? Deus nosso Senhor há de iluminar seus passos em Paris. Tenho fé. Tenho fé.

 

Não faltaram braços para tantos abraços. As irmãs caçulas, também assaltadas por um chorinho sentido e carinho na hora da despedida, não deixam de fazer encomendas. Sofia, enxugando as lágrimas, ainda sussurra ao ouvido do irmão: vamos sentir muito sua falta. Seja feliz, meu querido Betinho!

 

- Serei. Se cuidem as duas – aconselha o rapaz dando o abraço de despedida nas irmãs.

 

Com apenas 19 anos, Alberto assiste a família regressar ao Brasil. Falando francês corrente, na mesma noite toma o comboio noturno para Paris, levado pelo destino com todos os seus sonhos e todos os seus pensamentos. No outro dia, quando o dia mal ensaiava a se declinar e o sol clareando a poeira das vidraças, Alberto Santos Dumont chega bem-disposto à plataforma da estação de Saint-Lázare.  Respira fundo de satisfação e desce do ‘trem’ com sua bagagem, visualmente, fascinado pela cidade, que o acolhia em seu admirável inverno.

- É muita felicidade estar aqui! – pensa em voz alta, enquanto tomava um coche de aluguel para a Champs-Élysées.

Na manhã seguinte, atraído pelo céu ensolarado do mês de maio de 1982, desce repleto de ânimo até a calçada. Entra numa cafeteira nas proximidades da Place de L’Opéra para saborear uma xícara de café. Em seguida, levanta o olhar e, com uma das mãos em aba sobre os olhos, confere as horas na torre da Basilique-du-Sacré-Coeur.

Feliz da vida sai, à pé, embriagado pelas cores alucinantes do sol de Paris, enquanto caminhava até a rua Scribe para visitar seus familiares.

- A sensação de carinho de quem visita Paris é evidente. A cidade deixa os olhos de qualquer pessoa com vontade de voltar sempre, eterna lua de mel. Paris, para variar, é simplesmente incrível. Simplesmente incrível! - dizia de si para si cheio de ânimo.

 

 PROFESSOR GARCIA

 

Com a ajuda de parentes, Alberto vai até a Rive Gauche, no bairro Quartier Latin, e contrata os serviços do professor Garcia, educador de origem espanhola, estudioso sagaz e competente em ciências exatas. Sua escola era uma das mais famosas de Paris, conhecida por funcionar como uma espécie de laboratório de ideias, onde ninguém comandava e ninguém era comandado, apenas orientado por um abnegado e determinado mestre em oferecer pessoas bem graduadas ao mundo da mecânica.

No primeiro dia de aula, o professor quis saber sobre a vida do brasileiro, perguntando:

- Meu jovem, não obstante, além dos estudos, você tem alguma ocupação em Paris?

- Apenas estudo.

          - Ah, sim.

- Quero me aprofundar nos estudos da mecânica, monsieur – conclui, sorrindo.

- Veio para o lugar certo, jeunes!  É a cidade mais culta do mundo e inspira muita paixão em quem vive nela – professa o mestre.

 

- Sim.

 

- Oportunidades infinitas em Paris. Sorridente e festiva, a metrópole palpita dia e noite. O futuro é o nosso presente, fazendo a ciência avançar.

 

- Sem dúvida.

 

O professor com eloquência:

 

- Paris sempre foi a cidade da ciência, divisora de águas na vida de minha gente boa. Aqui encontramos meios de expor nossas ideias, sermos aceitos e admirados por nossas capacidades intelectuais. Capital das artes, dos museus, das largas avenidas, dos amplos jardins, do rio Sena, da Torre Eiffel. É o berço do aprendizado para todo jovem sonhador e ambicioso.

 

- Certamente.

 

- Para cá, desde que a ciência deslumbrou a imaginação humana e estabeleceu uma crença universal no progresso humano, moral e material, são atraídas todas as grandes cabeças que se destacam no mundo da criação, da ciência e da filosofia, querendo que o futuro seja real antes mesmo de existir. Eles imaginam fazer de Paris grande centro de oportunidades para quem pensa voar alto. A nata da nata está aqui. 

Alberto balança a cabeça concordando. O professor continua:

          - Assim sendo, procuro formar jovens adultos competitivos, capazes de se ajustarem às exigências de um planeta moderno, ciente de que a juventude é a janela pela qual o futuro vai entrar no planeta.

- Evidente, senhor.

- O ensino é um instrumento de capacitação para vida e para o trabalho, promovendo o desenvolvimento humano.  Portanto, asseguro-lhe ampla, confiável e organizada planilha de aula, ciente de que nada, no momento, é mais importante do que investir na ciência e na tecnologia. Quem lê minhas apostilhas aprende voando, pode crer.

Risos. O professor Garcia, mais animado:

 

- Sempre digo aos meus alunos que os mestres podem abrir as portas, mas só os estudantes dedicados conseguem entrar. Entende?

 

- Sim.

 

Pausa. Logo o professor pergunta a Alberto se conhecia o motor a explosão.

 

- Claro. Claro – entusiasma o rapaz.

 

- O que achou?

 

- Nada mais encantador. Qual não foi o meu espanto quando vi, pela primeira vez, um motor compacto e leve movido a petróleo! Fiquei boquiaberto diante de um motor de combustão interna, sem fornalhas para lenha ou carvão, sem caldeira ou tubos para água fervente e, por cima de tudo, construído com pequenas peças numa Paris que respirava a essência dos motores. Deus do céu! Fascinado com a invenção levei para o Brasil um automóvel da fábrica Peugeot.

 

- Ótimo.

 

- Desmontei e montei a máquina inúmeras vezes, anotando tudo no meu caderninho.

 

- Pois então me diga por que tanto interesse pela mecânica?

- Desde menino dividi meu tempo entre livros da biblioteca de meu pai e a mecânica da nossa fazenda de café. Sempre pensei em sair pelo céu voando, acreditando que o que parece ficção hoje pode ser uma realidade amanhã.

- Pelo que vejo você é um cientista nato.

- Como era grudado no meu pai, desde os 6 anos ficava na oficina de máquinas da fazenda de café, fuçando em tudo. Sempre fui enraizado na mecânica, tanto que o meu “diploma” foi o da Fazenda Dumont.

Pausa. Professor Garcia:

- Imagina ser um balconista?         

- O que mais quero.

- Então está no lugar certo.

- Quero desenvolver a técnica da dirigibilidade do balão.

- Sério?

- Penso que o motor a petróleo pode dar propulsão e dirigibilidade aos balões. Coleciono alguns estudos sobre a dirigibilidade.

- Tem sentido.

- Até onde sei, depois das experiências fracassadas de Giffard, em 1852, que usou o motor térmico para propelir balões alongados, ninguém fez mais nada. Ou fez?

- Quase nada. Há muito não se abre nenhuma porta para coisas novas, acredita? Ainda temos pouca tecnologia disponível. Em 1883, Albert Tissandier tentou dirigir um balão com um motor elétrico 11/2 hp. Ano atrasado, Clément Ader construiu um aeroplano com motor a vapor. Sem testemunhas, o inventor garantiu que a aeronave voou 300 metros. Nada comprovado.

- Ader! Não é dele o neologismo Avion?

O professor sorri com ar de dúvidas:

- Não sei. Certo é que Avion foi o nome que Clément deu à sua geringonça.

- Para mim, a invenção desse cientista não pode ser vista apenas como uma janela aberta para o passado, mas também com uma fresta escancarada para o futuro.

- Claro, claro.

- Frente à impossibilidade de definições precisas sobre o futuro, não terei o menor acanho em pedir ajuda ao passado, como se tudo já estivesse sempre definido. Avion, adorei essa palavra.

- De fato, curta e com muita força.

Pausa. Alberto:

- Sabe de uma coisa, professor? Pensei ver em Paris o homem voando sobre a cidade, indo daqui e dali em balões dirigíveis. Mas apenas vi os balões esféricos, como os de Charles, voando desde 1873.

 - Parece ser um bom entendedor de Balões.

- Minha paixão. As primeiras lições que recebi de aeronáutica foram-me dadas pelo nosso grande visionário Júlio Verne. Desde a juventude leio com grande interesse os livros desse vidente da locomoção aérea e submarina.

- Voar é o último desafio do homem tecnológico, que já domina a terra e o mar. Agora, falta trafegar nos céus – observa o professor.

- Sim. Sim. Desde criança acredito que, um dia, o homem vai sair voando pelos ares com absoluta autonomia.  

- Difícil prevê. Mas, posso dizer que o sonho faz parte da ciência.

- Claro, claro. Vejo que os balões estão aí pedindo dirigibilidade. Por isso mesmo estou em Paris.

- Escolheu o lugar certo, Alberto. Em Paris, a exemplo da literatura e das artes em geral, surge uma inspirada geração de criadores, pensadores e intelectuais que estão desafiando a estagnação da tecnológica atual. Cada dia que passa, surge um geniozinho, surpreendendo o mundo com suas máquinas espetaculares para facilitar a vida das pessoas.

 - Os automóveis, por arquétipo?

- Sem dúvida. Mesmo engatinhando estão nas ruas, substituindo os coches movidos à tração animal.

- Nada mais promissor – admite Alberto, confiante.

- Toda hora alguém inventa algo que ninguém imaginava. O mundo que você conheceu ontem acabou.... Acabou na fase insuperável do desenvolvimento tecnológico, concorda?

- Certamente. Uma novidade atrás da outra num dia para o outro mudando a cara do mundo. Só espero que o progresso seja do homem também, não só da tecnologia.

 

Durante meses Alberto mergulha nos estudos do motor a explosão. No final de novembro, o jovem brasileiro compra o Anuaire Bottin, edição atualizada para 1893, e descobre o endereço de um aeronauta profissional. Procura por ele, mas não acerta seu primeiro voo.

 

No dia seguinte, reclama com o seu mestre:

 

- Mil e duzentos francos! É o preço que o balonista quer me cobrar por uma tarde de voo. Além do mais, terei que assumir a responsabilidade por qualquer dano à tripulação, a terceiros, ao balão e aos seus acessórios.

 

- Topou? 

 

- Não, lógico que não. Ainda mais que o transporte do balão também seria por minha conta e risco. Pensei comigo: se arrisco 1.200 francos pelo prazer de uma tarde de voo, obviamente julgarei se valeu a pena. Se não gostasse, teria perdido o dinheiro. Caso contrário, ficaria tentado a repetir a dose. Ao fim e ao cabo e na ponta do lápis achei que ficaria muito caro manter minha emoção nas alturas.

 

- Esse pessoal, francamente!  Por que não procura o clube dos Aeronautas?

 

- Outra lenga-lenga. Lá também fui rejeitado.

 

- Por quê?

 

- O diretor veio com aquela desculpa esfarrapada que sou muito novo para voar em um balão. Arre! Pelo que vi, todos querendo ser mais realistas do que o rei... Isso que me intriga.

 

            - Entendo.

 

- Você acha que eu..., que nós jovens não temos responsabilidades para tal?

 

- A sua força interior e as suas convicções não têm idade, mas...

 

- Tenha calma, meu filho. Tenha calma. Um dia o sonho de voar vai acontecer.

 

- Ponho fé.

 

- Tem de dar tempo ao tempo. A sabedoria nos ensina que é essencial ter os pés firmemente plantados no chão para poder se lançar ao espaço.

 

Pausa. O rapaz:

 

- Até parece que os balonistas são uma espécie de semideuses, mergulhados no próprio umbigo. Isso me inquieta.

- Ora, Alberto, soltá-lo pelos ares num balão é uma responsabilidade imensa. Se os balonistas dificultaram sua ascensão, em nenhum momento, deixaram cada um a seu modo de pedir a você para amadurecer mais sua concepção sobre o balonismo.

- Talvez.

- Não é melhor conversar mais sobre o assunto e agir com sabedoria? A arte de ouvir é o melhor dom que Deus deu ao homem.

- Isso eu sei. Herdei de minha mãe que bebia na fonte de juventude, jovem para sempre, um átomo.

- Bom legado. Voará um dia, está escrito.

- Voarei. Ainda que tardia – Alberto alude à frase do Movimento da Inconfidência Mineira, estampada na bandeira de Minas Gerais.

- Assim que se fala, rapaz! Não deixe que essas coisas estraguem seu dia. Amanhã, teremos matéria nova.

- Então vou nessa, professor. Mudei para um apartamento na rua d'Edimbourg. Quase tudo continua fora do lugar. Móveis, quadros, livros, roupas, louças... Aquela confusão! Adeus.

- A coeur vaillant rien d’ impossible – despede o professor, sorridente.

 

 

 

* FBN© - 2013 – Visionário. Cientista. Artista. Um brasileiro Inovador em Paris.   – Cap. 06 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil – Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet  - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/um-visionrio-um-cientista-um-artista-um.html

 

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