*
Paris. Bela época.
Seduzido pelo esplendor da capital francesa, com suas oportunidades infinitas, em maio de 1892,
Alberto Santos Dumont muda de vez para Paris.
Alberto Santos Dumont muda de vez para Paris.
Alberto
tenta, mas não consegue que o pai prosseguisse a viagem de Portugal a Paris.
Tomado por uma forte angustia e incertezas, Henrique Dumont preferiu tratar de
sua doença no Brasil. Ainda no cais do Porto de Lisboa, antes do embarque de
volta, o engenheiro enaltece a decisão do filho:
- Sinto
que meu Alberto vai a Paris em busca de uma carreira sólida e próspera, como se
chamado a cumprir o que decide a sabedoria divina. Na França, quem tem
inteligência, astúcia e ciência do que realmente quer, costuma chegar ao
patamar mais elevado da vida. Parabéns, Alberto!
-
Obrigado, pai.
- Paris
tem fama de saber recompensar jovens arguciosos e afoitos que buscam na cidade
crescimento intelectual e científico. Sempre foi assim. Sempre. Conheço a
cidade como a palma de minha mão.
- Sim.
Pausa.
Henrique com um sorriso largo brinca:
- Olha
aqui, mocinho! Meu coração está dizendo que, no futuro, será uma figura muito
importante, denominando ruas e praças espalhadas ao redor do mundo.
Risos.
Alberto:
- Ô, pai!
- Mas não
se iluda. Paris é também um lugar arriscado para um rapaz da sua idade. Com
aquele ‘oba-oba’ todo, pode nos causar a confusão visual de um mundo em que
nada é o que parece ser. Sem juízo, as melhores almas acabam se perdendo. Todo
cuidado é pouco, viu?
- Preocupe
não, pai.
- Paris
era uma cidade estimulante, embora a vida noturna pode ser uma armadilha para
os jovens. Esconde perigosas ciladas, viu meu filho?
- Eu sei.
- Deve
fazer de tudo para não ser atraído pelos eventos e passatempos da classe ociosa
que vive por lá. Evite as más companhias, evite os descaminhos, não seja
fanfarrão. Dos fumeries, por exemplo,
passe léguas deles. São lugares de dependentes químicos que se tornaram um
perigo público para a sociedade.
- Nada disso me atrai, bem
sabe o senhor.
- Ainda
bem.
-
Instruiu-me o livro Paraísos Artificiais que
me presenteou no último aniversário. Lembra?
- Claro.
A intenção foi de sensibilizá-lo para um perigo sem fim no mundo moderno.
Charles Baudelaire toca o dedo na ferida ao descrever os efeitos dessas ervas
que criam a falsa felicidade nos indivíduos. Recorde sempre disso, certo?
-
Inquiete não, pai. Mudo para Paris por uma causa nobre, não para virar um flâneur perambulante. Fique tranquilo,
dou-lhe minha palavra. Fique tranquilo.
-
Desculpe seu velho pai pelo excesso de preocupações. No mundo de hoje a gente
vive com o coração aos pulos, não tem outro jeito.
Alberto
ri, dizendo:
- Pai
zeloso!
- Por
enquanto, fique no apartamento da Champs-Élysée. O aluguel está pago até o fim
do ano. Mande notícias. A comunicação conforta e deixa o pai com a alma mais
sossegada.
-
Certamente.
Meio
desolado, Henrique Dumont, fecha o sorriso:
- Meu
filho, percebo que pouca saúde me resta para viver.
- Fique
sossegado, meu velho. Ainda goza de muita saúde.
- Não
sei. Estou chegando ao fim. Mas antes quero vê-lo triunfar na vida, viu?
- Claro,
claro. Olha aqui: quando chegar ao Brasil passe um período de tratamento nas
casas de banho de Araxá. As termas de lá são famosas pelo grande poder medicinal,
principalmente, o barro que é conhecido como o ouro pastoso das Minas Gerais.
- Vou
pensar.
- Falo
sério.
Risos.
Henrique depois de uma pausa:
- Prometo
pensar, prometo fazer o maior esforço para atender seu pedido.
- Vou
cobrar.
- Sabe de
uma coisa, Betinho?
- Não.
- Você
foi o presente de aniversário mais significativo que ganhei na vida. Presente
da sua mãe quando fiz 41 anos de idade.
- Feliz
coincidência. Muito me honra fazer aniversario no mesmo dia do senhor. Talvez,
seja por isso tanta cumplicidade entre nós, não é mesmo?
- Pode
ser. Pode ser. Lembro como se fosse hoje daquela noite de inverno em que você
nasceu. Um vento gelado, mostrando a fúria selvagem da natureza, começou a
soprar, exatamente, quando a parteira preparava sua mãe para dar à luz de mais
um rebento. Santo Deus! Você nem pode imaginar a correria para vedar com panos
as janelas e portas da nossa casa! Naquela hora até pensei que era um bom
prenúncio: a criança que estava para nascer teria um futuro cheio de acontecimentos
grandiosos. Seria alguém na vida.
- Bom
ouvir isso, pai.
Alberto
emocionado abraça o pai com ternura. De repente um apito soa, alertando todos
os passageiros para ocuparem seus lugares na embarcação. Imediatamente, com a
pressa exagerada dos viajantes, o local se torna um Deus nos acuda. Henrique
Dumont apruma o corpo, desvia o olhar em direção ao navio e fala em tom mais
elevado:
- Ouçam.
Ouçam. O apito chama os passageiros para o embarque. Chegou a hora de zarpar,
vamos. Meu filho, fica com Deus! Que ele abençoe a todos nós.
Virando-se
para a esposa:
-
Francisca! Francisca! Está na hora, temos que subir ao convés. Meu Deus! Ai,
meu estômago está embrulhando de novo. Arre! Deve ser o vinho.
- Não é
nada, paizão. Isso acontece em momentos de grande tensão, afobação. Mantenha-se
calmo que eu ajudo com as bagagens.
- Não
precisa, deixe por conta dos carregadores. Betinho, meu filho, no que depender
de mim terá tudo para tocar seus sonhos adiante.
-
Agradeço, pai.
Alberto
ao beijar as faces dos pais não segura as lágrimas. Comovido diz:
- Muito,
muito, muito obrigado! Minha chance, papai. Minha chance, mamãe! Rezem por mim.
Em breve, darei notícias.
Dona
Francisca, procurando alento para tanta tristeza, abraça o filho outra vez,
recomendando:
- Só uma coisinha a mais, Betinho. Uma coisinha... Sei que é um
jovem com
tantas coisas na mente, tão cheio de opiniões que, isso tudo, me faz
preocupar com o seu bem estar. Não deixe que seus próprios pensamentos lhe
cansem, ouviu? Não quero ver meu filho esgotado, viu?
-
Seguirei seus conselhos, mamãe.
- Nossa
Senhora da Aparecida e seu anjinho da guarda estarão sempre do seu lado. Em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo eu o abençoo hoje e sempre, filho
querido. Amém.
- Amém –
repete Alberto.
Ao pé da
escada de acesso ao navio, Henrique Dumont torna a abraçar o filho. A voz
trêmula tece-lhe mais conselhos. A mãe, outros tantos. Mais choro. Depois,
ainda com os olhos encharcados de lágrimas, ela passa o braço em volta da
cintura do filho e abre um sorriso consolador:
- Meu Betinho já é um homem feito, vai saber se cuidar, não vai? Deus nosso
Senhor há de iluminar seus passos em Paris. Tenho fé. Tenho fé.
Não
faltaram braços para tantos abraços. As irmãs caçulas, também assaltadas por um
chorinho sentido e carinho na hora da despedida, não deixam de fazer
encomendas. Sofia, enxugando as lágrimas, ainda sussurra ao ouvido do irmão:
vamos sentir muito sua falta. Seja feliz, meu querido Betinho!
- Serei.
Se cuidem as duas – aconselha o rapaz dando o abraço de despedida nas irmãs.
Com
apenas 19 anos, Alberto assiste a família regressar ao Brasil. Falando francês
corrente, na mesma noite toma o comboio noturno para Paris, levado pelo destino
com todos os seus sonhos e todos os seus pensamentos. No outro dia, quando o
dia mal ensaiava a se declinar e o sol clareando a poeira das vidraças, Alberto
Santos Dumont chega bem-disposto à plataforma da estação de Saint-Lázare.
Respira fundo de satisfação e desce do ‘trem’ com sua bagagem, visualmente,
fascinado pela cidade, que o acolhia em seu admirável inverno.
- É muita
felicidade estar aqui! – pensa em voz alta, enquanto tomava um coche de aluguel
para a Champs-Élysées.
Na manhã
seguinte, atraído pelo céu ensolarado do mês de maio de 1982, desce repleto de
ânimo até a calçada. Entra numa cafeteira nas proximidades da Place de L’Opéra
para saborear uma xícara de café. Em seguida, levanta o olhar e, com uma das
mãos em aba sobre os olhos, confere as horas na torre da
Basilique-du-Sacré-Coeur.
Feliz da
vida sai, à pé, embriagado pelas cores alucinantes do sol de Paris, enquanto
caminhava até a rua Scribe para visitar seus familiares.
- A
sensação de carinho de quem visita Paris é evidente. A cidade deixa os olhos de
qualquer pessoa com vontade de voltar sempre, eterna lua de mel. Paris, para
variar, é simplesmente incrível. Simplesmente incrível! - dizia de si para si
cheio de ânimo.
PROFESSOR
GARCIA
Com a
ajuda de parentes, Alberto vai até a Rive Gauche, no bairro Quartier Latin, e
contrata os serviços do professor Garcia, educador de origem espanhola,
estudioso sagaz e competente em ciências exatas. Sua escola era uma das mais
famosas de Paris, conhecida por funcionar como uma espécie de laboratório de
ideias, onde ninguém comandava e ninguém era comandado, apenas orientado por um
abnegado e determinado mestre em oferecer pessoas bem graduadas ao mundo da
mecânica.
No
primeiro dia de aula, o professor quis saber sobre a vida do brasileiro,
perguntando:
- Meu
jovem, não obstante, além dos estudos, você tem alguma ocupação em Paris?
- Apenas
estudo.
- Ah, sim.
- Quero
me aprofundar nos estudos da mecânica, monsieur
– conclui, sorrindo.
- Veio
para o lugar certo, jeunes! É a
cidade mais culta do mundo e inspira muita paixão em quem vive nela – professa
o mestre.
- Sim.
-
Oportunidades infinitas em Paris. Sorridente e festiva, a metrópole palpita dia
e noite. O futuro é o nosso presente, fazendo a ciência avançar.
- Sem
dúvida.
O
professor com eloquência:
- Paris
sempre foi a cidade da ciência, divisora de águas na vida de minha gente boa.
Aqui encontramos meios de expor nossas ideias, sermos aceitos e admirados por
nossas capacidades intelectuais. Capital das artes, dos museus, das largas
avenidas, dos amplos jardins, do rio Sena, da Torre Eiffel. É o berço do
aprendizado para todo jovem sonhador e ambicioso.
-
Certamente.
- Para
cá, desde que a ciência deslumbrou a imaginação humana e estabeleceu uma crença
universal no progresso humano, moral e material, são atraídas todas as grandes
cabeças que se destacam no mundo da criação, da ciência e da filosofia, querendo
que o futuro seja real antes mesmo de existir. Eles imaginam fazer de Paris
grande centro de oportunidades para quem pensa voar alto. A nata da nata está
aqui.
Alberto
balança a cabeça concordando. O professor continua:
- Assim sendo, procuro formar jovens adultos competitivos, capazes de se
ajustarem às exigências de um planeta moderno, ciente de que a juventude é a
janela pela qual o futuro vai entrar no planeta.
-
Evidente, senhor.
- O
ensino é um instrumento de capacitação para vida e para o trabalho, promovendo
o desenvolvimento humano. Portanto, asseguro-lhe ampla, confiável e
organizada planilha de aula, ciente de que nada, no momento, é mais importante
do que investir na ciência e na tecnologia. Quem lê minhas apostilhas aprende
voando, pode crer.
Risos. O
professor Garcia, mais animado:
- Sempre digo
aos meus alunos que os mestres podem abrir as portas, mas só os estudantes
dedicados conseguem entrar. Entende?
- Sim.
Pausa.
Logo o professor pergunta a Alberto se conhecia o motor a explosão.
- Claro.
Claro – entusiasma o rapaz.
- O que
achou?
- Nada
mais encantador. Qual não foi o meu
espanto quando vi, pela primeira vez, um motor compacto e leve movido a
petróleo! Fiquei boquiaberto diante de um motor de combustão interna, sem
fornalhas para lenha ou carvão, sem caldeira ou tubos para água fervente e, por
cima de tudo, construído com pequenas peças numa Paris que respirava a essência
dos motores. Deus do céu! Fascinado com a invenção levei para o Brasil um
automóvel da fábrica Peugeot.
- Ótimo.
-
Desmontei e montei a máquina inúmeras vezes, anotando tudo no meu caderninho.
- Pois
então me diga por que tanto interesse pela mecânica?
- Desde
menino dividi meu tempo entre livros da biblioteca de meu pai e a mecânica da
nossa fazenda de café. Sempre pensei em sair pelo céu voando, acreditando que o
que parece ficção hoje pode ser uma realidade amanhã.
- Pelo que vejo
você é um cientista nato.
- Como era grudado no meu pai, desde os 6 anos ficava na oficina
de máquinas da fazenda de café, fuçando em tudo. Sempre fui enraizado na
mecânica, tanto que o meu “diploma” foi o da Fazenda Dumont.
Pausa. Professor Garcia:
- Imagina
ser um balconista?
- O que
mais quero.
- Então
está no lugar certo.
- Quero
desenvolver a técnica da dirigibilidade do balão.
- Sério?
- Penso
que o motor a petróleo pode dar propulsão e dirigibilidade aos balões.
Coleciono alguns estudos sobre a dirigibilidade.
- Tem sentido.
- Até
onde sei, depois das experiências fracassadas de Giffard, em 1852, que usou o
motor térmico para propelir balões alongados, ninguém fez mais nada. Ou fez?
- Quase
nada. Há muito não se abre nenhuma porta para coisas novas, acredita? Ainda
temos pouca tecnologia disponível. Em 1883, Albert Tissandier tentou dirigir um
balão com um motor elétrico 11/2 hp. Ano
atrasado, Clément Ader construiu um aeroplano com motor a vapor. Sem
testemunhas, o inventor garantiu que a aeronave voou 300 metros. Nada comprovado.
- Ader! Não é dele o neologismo Avion?
O professor sorri com ar de dúvidas:
- Não sei. Certo é que Avion
foi o nome que Clément deu à sua geringonça.
- Para mim, a invenção desse cientista não pode ser vista apenas
como uma janela aberta para o passado, mas também com uma fresta escancarada
para o futuro.
- Claro, claro.
- Frente à impossibilidade de definições precisas sobre o
futuro, não terei o menor acanho em pedir ajuda ao passado, como se tudo já estivesse
sempre definido. Avion, adorei essa
palavra.
- De fato, curta e com muita força.
Pausa. Alberto:
- Sabe de uma coisa, professor? Pensei ver em Paris o homem voando sobre a cidade, indo daqui e dali em
balões dirigíveis. Mas apenas vi os balões esféricos, como os de Charles,
voando desde 1873.
- Parece ser um bom entendedor de Balões.
- Minha paixão. As
primeiras lições que recebi de aeronáutica foram-me dadas pelo nosso grande
visionário Júlio Verne. Desde a juventude leio com grande interesse os livros
desse vidente da locomoção aérea e submarina.
- Voar é o último desafio do homem tecnológico, que já domina a
terra e o mar. Agora, falta trafegar nos céus – observa o professor.
- Sim. Sim. Desde criança acredito que, um dia, o homem vai sair
voando pelos ares com absoluta autonomia.
- Difícil prevê. Mas, posso dizer que o sonho faz parte da
ciência.
- Claro, claro. Vejo que os balões estão aí pedindo
dirigibilidade. Por isso mesmo estou em Paris.
- Escolheu o lugar certo, Alberto. Em Paris, a exemplo da
literatura e das artes em geral, surge uma inspirada geração de criadores,
pensadores e intelectuais que estão desafiando a estagnação da tecnológica
atual. Cada dia que passa, surge um geniozinho, surpreendendo o mundo com suas
máquinas espetaculares para facilitar a vida das pessoas.
- Os automóveis, por arquétipo?
- Sem dúvida. Mesmo engatinhando estão nas ruas, substituindo os
coches movidos à tração animal.
- Nada mais promissor – admite Alberto, confiante.
- Toda hora alguém inventa algo que ninguém imaginava. O mundo
que você conheceu ontem acabou.... Acabou na fase insuperável do
desenvolvimento tecnológico, concorda?
- Certamente. Uma novidade atrás da outra num dia para o outro
mudando a cara do mundo. Só espero que o progresso seja do homem também, não só
da tecnologia.
Durante
meses Alberto mergulha nos estudos do motor a explosão. No final de novembro, o
jovem brasileiro compra o Anuaire Bottin,
edição atualizada para 1893, e descobre o endereço de um aeronauta
profissional. Procura por ele, mas não acerta seu primeiro voo.
No dia
seguinte, reclama com o seu mestre:
- Mil e
duzentos francos! É o preço que o balonista quer me cobrar por uma tarde de
voo. Além do mais, terei que assumir a responsabilidade por qualquer dano à
tripulação, a terceiros, ao balão e aos seus acessórios.
-
Topou?
- Não,
lógico que não. Ainda mais que o transporte do balão também seria por minha
conta e risco. Pensei comigo: se arrisco
1.200 francos pelo prazer de uma tarde de voo, obviamente julgarei se valeu a
pena. Se não gostasse, teria perdido o dinheiro. Caso contrário, ficaria
tentado a repetir a dose. Ao fim e ao cabo e na ponta do lápis achei que
ficaria muito caro manter minha emoção nas alturas.
- Esse
pessoal, francamente! Por que não procura o clube dos Aeronautas?
- Outra
lenga-lenga. Lá também fui rejeitado.
- Por
quê?
- O
diretor veio com aquela desculpa esfarrapada que sou muito novo para voar em um
balão. Arre! Pelo que vi, todos querendo ser mais realistas do que o rei...
Isso que me intriga.
- Entendo.
- Você
acha que eu..., que nós jovens não temos responsabilidades para tal?
- A sua força interior e as suas
convicções não têm idade, mas...
- Tenha calma,
meu filho. Tenha calma. Um dia o sonho de voar vai acontecer.
- Ponho fé.
- Tem de dar tempo ao tempo. A sabedoria nos ensina que é essencial
ter os pés firmemente plantados no chão para poder se lançar ao espaço.
Pausa. O rapaz:
- Até parece que
os balonistas são uma espécie de semideuses, mergulhados no próprio umbigo.
Isso me inquieta.
- Ora,
Alberto, soltá-lo pelos ares num balão é uma responsabilidade imensa. Se os
balonistas dificultaram sua ascensão, em nenhum momento, deixaram cada um a seu
modo de pedir a você para amadurecer mais sua concepção sobre o balonismo.
- Talvez.
- Não é
melhor conversar mais sobre o assunto e agir com sabedoria? A arte de ouvir é o
melhor dom que Deus deu ao homem.
- Isso eu
sei. Herdei de minha mãe que bebia na fonte de juventude, jovem para sempre, um
átomo.
- Bom
legado. Voará um dia, está escrito.
- Voarei.
Ainda que tardia – Alberto alude à
frase do Movimento da Inconfidência Mineira, estampada na bandeira de Minas
Gerais.
- Assim
que se fala, rapaz! Não deixe que essas coisas estraguem seu dia. Amanhã,
teremos matéria nova.
- Então
vou nessa, professor. Mudei para um apartamento na rua d'Edimbourg. Quase tudo
continua fora do lugar. Móveis, quadros, livros, roupas, louças... Aquela
confusão! Adeus.
- A coeur vaillant rien d’ impossible – despede
o professor, sorridente.
* FBN©
- 2013 – Visionário. Cientista. Artista. Um brasileiro Inovador em Paris.
– Cap. 06 de SANTOS-DUMONT. A FORÇA DE UM SONHO – Gênero: Biografia
Enovelada – Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Prosa Infanto-Juvenil –
Texto original em português - IIustr.: Imagens da Internet - Link: http://albertosantos-dumont.blogspot.com.br/2008/09/um-visionrio-um-cientista-um-artista-um.html
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